Li há pouco tempo atrás um livrinho com pouco mais de cem páginas, bem interessante, chamado "Cem Escovadas Antes de Ir Para a Cama". Trata-se de um relato em primeira pessoa, com caráter de diário de uma adolescente italiana que em plena crise de identidade juvenil faz terapia através da escrita. Conta tudo e mais um pouco. Fez sucesso na Itália vendendo mais de 500 mil exemplares, e fora traduzido, posteriormente, para 24 países. Se é um bom livro ou não, é critério do leitor. Pelo menos é sincero. Há o clichê do genêro Lolita, e pode-se compará-lo a muitos outros. Sairá perdendo se o fizermos, só para citar um recente, o francês "Hell - Paris 75016" segue os mesmos moldes do livro italiano, mas seu resultado é infinitamente superior. O que não vem ao caso, agora.Cheguemos ao ponto. "Cem Escovadas Antes de Ir Para a Cama" virou o filme "Cem Escovadas Antes de Dormir". O leitor menos atento não notará a diferença entre os títulos, porém o segundo, o do filme, substitui uma palavra e elimina o duplo sentido. Não à toa. A fita também parece ser puritana e romântica demais para com a obra literária. E pior, as roteiristas (duas) parecem não ter sequer lido o livro até o final, mudando seu desfecho drasticamente, para pior, claro, chegando a eliminar situações chaves à narrativa. Sem alma e com caráter episódico o filme é uma perda de tempo do começo ao fim. Poderia ser considerado mal adaptado ou puritano demais, mas não, é ruim mesmo. Nada parece acontecer em tela e os personagens terminam como começaram, apesar das experiências "dramáticas" que passam.
Barbara Alberti assina o roteiro ao lado de Cristiana Farina. A primeira, não parece ser a mesma pessoa responsável pelo pornográfico "Monella - Travessa" do "perverso" diretor Tinto Brass ("Calígula"). É tão politicamente correto que chega a ser onstrangedor, assim como os diálogos, as situações, as atuações e assim por diante.
Pretendia assistir ao filme nos cinemas (este estreou há duas semanas), mas curiosamente "Cem Escovadas..." está disponível para locação, também. É um caso raro de um filme ser lançado simultaneamente nas locadoras e no cinema. Não havia entendido a razão pela qual em apenas duas semanas este fora reduzido a uma sala em toda São Paulo (e nesta, em apenas UM horário). Pois bem, agora que o vi, entendo. E para o filme em questão, essa sala já é muito.
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E só para dizer que não falo só de filmes ruins neste post, fica as dicas para hoje:
| FILMES DO DIA - dicas Tv à cabo |
Para começar, às 15:00, no MaxPrime 2 (do Oeste), será exibido "O Agente da Estação". Trata-se de um filme independente americano sublime sobre amizades. O protagonista é um anão e a história gira em torno dele. Solidão, preconceito, rejeição e amizade são temas que o filme discute, mas sem levantar bandeira a nenhum dos aspectos, o que é ainda melhor. O espectador poderá conferir que este grande filme com porte discreto, possui bons elementos nas doses certas. Vale muito à pena.
Às 22:15, no Cinemax 2 (do Oeste), é a vez do documentário indiano "Nascido em Bordéis", sobre os filhos de prostitutas que sofrem mais preconceito que as próprias mães. Fez sucesso por onde passou acumulando prêmios diversos, dentre eles Oscar de Melhor Documentário (2005).
Em época de alta do cinema oriental, é tempo de (re)ver cineastas como Kar Wai Wong. No Cinemax, às 23:30 "2046 - Os Segredos do Amor" será revelado. Kar Wai atualmente está em alta, como diversos diretores orientais e seus cinemas autorais, o que é muito bom a nós, cinéfilos. O diretor irá apresentar seu "My Blueberry Nigths" em Cannes, agora em maio. Portanto, enquanto seu novo filme não chega, saciamo-nos com "2046".
E para fechar a noite com chave de ouro, no Telecine Cult, às 01:30 haverá a exibição de "Querida Wendy", do dinamarquês Thomas Vintenberg (de "Festa de Famíla"). O roteiro é assinado por seu amigo de dogma, Lars Von Trier. O filme fala sobre armas e o poder que elas possuem, ou melhor, que possuem sob você. Ainda assim é mais do que isso. É um grande filme que dialoga com um tempo muito atual, dentro de um panorama bélico latente. Vale à pena!
Um comentário:
Putz!
Nem putaria tem?!
Que horror!
E por que os filmes que queremos ver sempre passam no canal que não temos?
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