Bom, muitas coisas a se falar ou blogar em relação a filmes recentes. Por onde comecemos? Não sei, vou falando o que der na telha. Então...Por fim assisti ao último capítulo da trilogia de Homem Aranha. Não gostei. Quando fora este anunciado junto com sua premissa, fiquei entusiasmado já que seria uma grande oportunidade de elevar o nível da série em um embate psicológico interessante entre o bem e o mal dentro da mesma pessoa. Ou então, de um herói numa época falida para sua trupe, pós atentado 11 de Setembro.
Pois bem, de um tempo para cá os filmes de heróis ressurgiram como uma febre nas telonas, amparado muito também pelo sucesso da franquia do próprio cabeça de teia. Não havia gostado muito do primeiro filme. Achei-o interessante, divertido e vazio. Apenas isso. O que talvez seja o melhor elogio que os produtores poderiam ouvir. Porém, para seu diretor, creio eu, não. Sam Raimi é um diretor que obteve sucesso na carreira por fazer filmes autorais interessantes. Como o clássico trash "Evil Dead", "Darkman", além de filmes interessantes como "Um Plano Simples" e "O Dom da Premonição". Há quem diga, ainda, que o diretor tenta fazer no cinemão filmes autorais. Concordo em partes.
Voltando a questão principal "Homem-Aranha 3", para mim, é muito manequeísta, esquemático e simplório. É divertido, mas apenas diversão nesse caso não basta. O roteiro é fraco por não apresentar soluções interessantes a situações conflitantes dentro da persona do herói. Os diálogos, meu Deus! Chegou a um momento em que o cientista vivido por Dylan Baker, ao analisar a espécime preta que adentra o herói e faz dele seu lado Venon, diz "Nossa! isso parece ser perigoso. Uma espécime simbiótica, que quando gruda... [fechando plano] é difícil de desgrudar!" Tchan! As cenas envolvendo a família do Homem-Areia também são dispensáveis e constrangedoras.
Outra questão levantada no filme, se não a principal, é a vingança que não é plena, mata a alma e a envenena, literalmente. Mas o tom é uma discussão levantada no filme para com o próprio país. Pode ter sido uma crítica ao governo ianque e sua cultura pop atual, que se vende muito fácil. O sucesso sobe à cabeça de Peter Parker, também, e só reencontra o seu eu interior quando é ancorado pelo valor familiar e amoroso. E quando isso acontece, vem à tona a figura emblemática do herói travestido de azul e vermelho em uma paisagem refletida pela bandeira norte-americana. Nada muito sutil.
Mas o filme não é de todo mau. É interessante em alguns aspectos particulares. Como na hora que seu lado rebelde o invade e este transforma-se em emo. Voltando a questão crítica para com a cultura pop contemporânea, será essa incursão proposital? Há resquícios de cinema autoral em certas cenas, como a do bar. Mas esses vão se esfacelando pela própria indústria que tem de vender o filme ao máximo de salas possíveis, lucrando até o limite. Para tal tem de diminuir também a censura de seu filme para atingir outra faixa etária consumidora. Com toda essa estratégia de venda, o filme vai se entregando a um golpe letal que o mesmo critica, sendo tragado pela própria alma.
E essa de verdade, quando gruda... é difícil de desgrudar!
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