domingo, 13 de maio de 2007

Cinema, Música e Urubus

Antes de qualquer coisa, "Symphathy For Lady Vengeance" é muito bom! Park Chan-Wook possui estilo tão próprio que é difícil não saber que se está assistindo um filme seu. Principalmente em sua trilogia da vingança, em que os filmes têm muito a ver uns com os outros. Em aspecto imagético, principalmente. Depois comento com mais calma sobre o filme, mas tenho de revê-lo, pois ainda me pareceu inferior a seus anteriores. O que não tira seus méritos, de maneira alguma, e vale à pena!

Duelo de Titãs

Sexta-feira revi um filme que por um bom tempo havia me despertado interesse. Ultimamente estou revisitando o cinema de Michael Mann. Considero-o muito inteligente e autoral. E é em "Fogo Contra Fogo" que atinge o máximo de sua cinematografia. É charmoso do começo ao fim. Penso eu, que se este fosse filmado, hoje, em digital como está acostumado a fazer ("Colateral" e "Miami Vice") o resultado seria ainda mais elegante. O filme pede essa crueza em captar os movimentos de toda a magnitude de uma grande metrópole.

O roteiro é muito inteligente e possui toda aquela sensualidade narrativa dos filmes de Mann. A inteligência nos diálogos e a proeza em tornar crível o incrível são suas marcas. Para começar há a cena de assalto que te joga para dentro do longa nos primeiros minutos. De Niro está em cena. Também está Val Kilmer. Já sacamos o que nos espera. Enquanto De Niro lidera seu bando, Pacino faz sexo com sua mulher. Os dois estão no mesmo filme. Mann não tem pressa em produzir o encontro de mestres sagrados da atuação. Acerta em cheio em sua concepção, já que a partir dessa apresentação, a tensão é crescente, e o público anseia o clímax. O encontro.

"Fogo Contra Fogo" não se limita ao esteriótipo de filme de ação ou como muitos críticos dizem; "o melhor da década de 90", pode até ser verdade, mas isso o limita a um rótulo perigoso. O fato é que Mann acerta em cheio com um roteiro que preenche seus 172 minutos de projeção com cinema autoral inteligente, interessante e penetrante. Tudo que ocorre em tela é acertado. Há complexidade nos personagens que enfrentam a própria existência além da guerra civil dentro de uma cidade corrupta. Em casa o confronto é muito maior que nas ruas. No silêncio de seus lares as lacunas expostas têm de ser preenchidas com cuidado e suas personalidades são confrontadas pelas próprias ações que executam no dia-a-dia de suas rotinas. De Niro não ama por completo, e Al Pacino ama pela metade.

Em razão de um desenvolvimento narrativo (e de personagens) tão bem definido(s) o encontro torna-se ainda mais marcante. Acontece em um restaurante. Estão sentados um à frente do outro. Só os dois e mais ninguém. A conversa consegue soar poética e os personagens entram em segundo plano, já que Pacino e De Niro estão em cena, juntos, pela primeira vez. Estavam também em "O Poderoso Chefão - Parte II", mas não contracenaram juntos, o tempo cronológico da história impossibitaram-nos. Aqui, finalmente, estão reunidos na mesma cena. Os dois personagens são grandiosos. A voz rouca de Pacino e o olhar franzido de De Niro frente à frente fazem da cena uma das melhores em minha mente do Cinema atual. Um diz ao outro "e se nunca mais nos encontrarmos?", o outro responde através de gestos que a vida é assim. Não estavam dialogando na pele de seus personagens, e sim de suas carreiras. Alguns dizem que a partipação que tiveram juntos é pequena demais. Mas Mann é um grande diretor. O menos é mais, e sabe disso. O filme inteiro contém dois personagens fascinantes. Se estão juntos ou não na mesma cena, não importa, a tensão envolta e a presença dos dois preenchem cada espaço da película.

Além de John Voight, Ashley Judd, Dennis Haysbert, o elenco conta com Val Kilmer. Está excelente. Seu olhar faz seu personagem. E para completar, também contamos com uma Natalie Portman com 14 anos de idade. Al Pacino é seu padrasto. Natalie desde pequena exibe talento e uma fina beleza, de sobra. É curioso observar seus cacoetes de atuação com apenas 14 anos de idade. Hoje não mudou nada, só adquiriu mais experiência, reconhecimento e beleza (de mulher). Enquanto Kirsten Dunst estreou nos cinemas com outra dupla notória (Tom Cruise e Brad Pitt) em "Entrevista Com o Vampiro", Natalie, praticamente dá seu pontapé inicial (antes havia protagonizado dois filmes) com outro encontro, aqui, muito mais relevante.

O filme revisto nos dias de hoje, é mais empolgante, para mim. Valeria só pela cena do restaurante, mas ainda assim consegue "ser um dos melhores filmes da década de 90", admito.

Encontros

Amanhã (hoje) tem encontro na Puc (TUCA) com o compositor Gustavo Santaolalla. O rapaz é argentino e autor das trilhas dos filmes "Amores Brutos", "21 Gramas", "Terra Fria", "Diários de Motocicleta", "Brokeback Montain" e "Babel", esses dois últimos lhe renderam os Oscars de sua carreira. A palestra promete. Será ministrada por Rubens Ewald Filho. Dizem que será em inglês. O porque ainda não sei, mas se o for, pra mim, é absurdo. Em entrevista concedida ao Estadão disse que sua maior referência musical não pertence aos compositores cinematográficos sagrados como Nino Rota, John Williams, Bernard Herrmman ou Ennio Moricone, mas sim John Lennon. Diz não gostar de trilhas tão eloqüentes, prefere as minimalistas, pois, ao seu ver, com música em demasiado pode-se transformar uma cena dramática em dramalhão. Seus trabalhos provam exatamente isso, e o resultado é atingido dessa forma. Amanhã, portanto, promete.

Música em Cena no TUCA às 15:00. Para não estudantes da PUC, chegar uma hora antes do evento, para retirada de senhas.

E para finalizar, duas dicas para a televisão à cabo.

| FILMES DO DIA - dicas Tv à cabo |

Para quem ainda não assistiu o longa de Sam Mendes, mais conhecido como diretor de "Beleza Americana", sobre a Guerra do Golfo proporcionada por Bush pai, chamado "Soldado Anônimo" é uma boa opção para o dia às 19:40 no Telecine Premium. Jake Gyllenhaal está ótimo, assim como Jamie Foxx e Peter Sarsgaard. É clara a crítica para com a Guerra ao terror de Bush filho, nos tempos de hoje. Trata-se de um bom filme de guerra que foge do gênero muito comum aos filmes típicos. Vale à pena!

E para os admiradores do (excelente) novo cinema argentino, há a possibilidade de assistir "O Abraço Partido". Filme de Daniel Burman, que fez recente sucesso com seu novo filme na última Mostra de Cinema de São Paulo, com seu "As Leis da Família". "O Abraço Partido" será exibido às 22:00 pelo Telecine Cult. Boa história, atuações naturais, narrativa seca e ágil, dramático sem ser piegas e seco sem ser blasé são as marcas do novo cinema argentino, que também está contido no filme de Burman. Não perca!

Há também o décimo primeiro episódio da série "Lost", mas isso todos já sabem, portanto, buenas!

Um comentário:

Carolina Ferreira disse...

Ui!
Fiquei até a fim de assistir "Fogo contra fogo! Deve mesmo ser emocionante ver os dois juntos e a Natalie pequetitita!

E é o Rubem Sogra que vai cuidar da palestra? Deus, diga que ele não vai ser o tradutor, por favor! Já me veio à cabeça ele no Oscar... MEDO!

E porque a Vivax não tem Telecine? Goooosh!