Sexta-feira congelante em Sampa. A pedida foi o show do Nando Reis, no Palace, quer dizer Corporation Music Hall (Citibank Hall). Só para constar, dentre todas as opções para estacionar o carro, que variavam de 5 a 20 conto, a melhor opção foi parar na rua, mesmo. Não apenas por achar absurdo os preços dos Vallets, mas também por considerar o perigo em confiá-los serviço. Inclusive saiu no Guia do Estado (sexta-feira) uma matéria interessante sobre o assunto, do tipo "você sabe onde deixa seu carro?". Enfim, divagações "pouca é bobagem". O show. Chegamos no horário marcado para o "evento". Depois de enfrentarmos três quarteirões e uma geada estávamos posicionados à fila para adentrar ao recinto. Devidamente cientes que o espetáculo começaria às 22:00, segundo o ingresso, chegamos às 21:45 e já se escutava o som de algo. Ou de alguém. No caso, a banda de abertura. Ou seja, Cachorro Grande já estava no palco fazendo seu show. Isso antes das tais vinte e duas horas, lembrando. Mas enfim, sem estresse algum. Estávamos de boa mesmo, mermão!
Pegamos o final do show dos sulinos, bem curto por sinal, e a conclusão fora de que ao vivo o som dos rapazes soa melhor. Ah sim, não fora de pista que estava marcado o evento, mas sim em mesas numeradas, e marcadas. Apesar de aconchegante, o esquema é muito brega. Fica numa linha entre a classe média e uma pseudo-burguesia que não convém ao espetáculo. Enfim, nada como o bom e velho -e barato- Sesc. Depois do show de abertura ter encerrado sua atividade às 22:10, a espera por Nando Reis fora longa. Ou seja, o que era marcado às 22:00 não fora comprido nem pelo bem, nem pelo mal. O show de abertura começou bem antes, e o do Nando, bem depois. Mas enfim, de novo, sem estresse, brow!
Quase às 23:00, Nandão na área! Atrás das cortinas estava Nando Reis, os infernais e um bela iluminação como palco, ou vice-versa. O show começou introspectivo, todos sentados, com "A Letra A" e outros hits menos pops da carreira de Nando. Entre uma música e outra, Nando conversava com a platéia com tom de prosa e, com isso, o show ganhou ainda mais caráter de aproximação entre o público e músicos. Algo que os presentes demoraram a entender, nos silêncios escutava-se gritos(!) de "toca aquela", "lindo", "gostoso" não combinando nada com o show.
Aqui vale um parêntese. Quando entramos no Citibank Hall, na nossa frente também entraram quatro mulheres e um rapaz. O rapaz estava apenas compondo o ambiente, ao que parece. As outras mandavam na mesa. Uma delas, a mais bêbada, e a mais loira, já demonstrou a que veio. Aos gritos de "Pra onde eu vou, não preciso de dinheiro", parafraseando o Cachorro Grande, nos moldes mais vergonhosos que a badalação permite, conseguiu chamar toda a atenção a si. Além de não parar de falar, também não ficava sentada um minuto sequer. O maior problema de um bêbado não é exatamente ele, mas seu companheiro que potencializa seu estado e sua "coragem". Pois é, a loira tinha a morena como comparsa de gritos, danças e micos. As duas não paravam um minuto e tentavam, em vão, lógico, chamar a atenção dos músicos. E como bêbado e encrenta tem tudo a ver, esta não demorou a ocorrer. Depois de gritos nada amistosos às garotas saltitantes (como "senta sua vaca!", "senta bêbada filha da..." ou "senta aê caralh..."), um dos presentes que estava ao seu lado teve seu momento de Seu Saraiva e se revoltou com a loira, quase espancando-a, literalmente. Esta, chamou o segurança e o rapaz, de maneira sensata, viu que a senhora estava bêbada e concluiu que defendê-la seria bobagem. Explicamos a situação ao segurança, que riu, ofereceu serviços caso algo mais grave acontecesse, e foi para seu posto novamente.
Ah claro, tudo isso ocorrendo durante o show do Nando Reis. Conclusão: o público dito como elitizado -recintos que cobram mais de R$40 por evento- paulistano é uma das coisas mais bregas que existem na face da Terra. E irritante. Imaginem uma mesa com Fernanda Young, Regina Casé, Rubens Ewald Filho, José Wilker (comentando cinema), Gugu e com uma pitada de Cabeção (na balada!) juntos! Foi assim que me senti em alguns momentos do show. Lógico, estou brincando, fora alguns incovenientes, o lugar estava ótimo.
Dentre as músicas tocadas no banquinho, Nando falava com seu público sobre a vida, sua carreira e a nova turnê que estreara em sua terra natal, com orgulho. Das diversas interjeições com o público, o ex-titã contou diversas histórias hilárias (sobre seu trauma com o "ruivismo") e interessantíssimas, provando o quão sensível e poeta que reside em sua persona.
Depois do momento mais cadenciado, veio a guitarra e o peso dos Infernais, elevando o show a um outro patamar. Tocou, nessa parte, a maioria de seus sucessos e encantou de vez o público presente. Além da banda que o acompanha ser excelente, as músicas ficaram maravilhosas ao vivo. Excelente do começo ao fim. Ainda mais acertado foi a maneira como Nando mexeu com a composição do show.
Como grande admirador de sua carreira (e também a de Arnaldo Antunes, para citar dois ex-titãs que encontraram muito bem seus caminhos, ao meu ver) pude saborear um espetáculo de qualidade irreparável.
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