quinta-feira, 31 de maio de 2007

tango canción

Na foto acima: Amelita Baltar e seu ex-marido, Astor Piazzolla.

O motivo dela? Estou ouvindo bastante esse lindo disco gravado pelos dois. "Amelita Baltar com Astor Piazzolla". A dica são os preços bem baixos pelas lojas digitais, como Submarino.

Além de belíssimo, o cd inclui a famosa Balada Para Un Loco.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

a incrível jornada

Resgatando um assunto recente. Gillermo Arriaga e Alejandro González Iñarritú depois de três filmes em conjunto ("Amores Brutos", "21 Gramas" e "Babel") brigaram e dizem nunca mais voltarem a acordo comum. Qual a razão desse post? Ontem (sábado) assisti pela terceira vez, "Três Entrerros", o primeiro filme de Tommy Lee Jones, na direção. E o que isso tem a vem com o começo do post? Simples, hoje abri o jornal e lá encontrava uma bela matéria com Guillermo Arriaga e seu novo livro, "Um Doce Aroma da Morte".

Certo... Arriaga, Tommy Lee, livros...? Ah sim, o roteirista do filme de Tommy Lee Jones, é o próprio Guillermo Arriaga. E, por coincidência, um dia depois de rever seu filme, uma matéria com o escritor/roteirista/mexicano é publicada.

Seu novo livro trata, dentre tantas outras coisas, da morte. Arriaga não é necrófilo nem saudosista, apenas enxerga a vida por um outro prisma do otimismo. Diz valorizar a vida através de fatos que sempre fugimos quando estamos vivos. A morte é presente em sua obra. Tanto nos três filmes que fez em parecira com Iñarritú, "Búfalo da Noite" (sua anterior obra literária, que ganha adaptação para as telonas esse ano, com Diego Luna), e em "Três Enterros", Arriaga discute a vida pela relação amedrontadora que temos desse rito. O filme de Tommy Lee Jones é uma obra-prima do cinema recente. É dividido em quatro partes. O primeiro e o segundo enterro, a viagem e o último enterro (de Melquiades Estrada). Lee Jones filma como um veterano, e seu filme é construído pelos ruídos, silêncios e as lacunas que o roteiro tange maravilhosamente bem. Tem o estilo europeu de filmar, com fluidez natural de narrativa apresentando poucos sons extra-diegéticos. A edição é excelente, mas sabendo de quem se trata o roteiro, essa visão parece muito mais do roteirista que do editor.

Por outro prisma, pode ser analisado como um road-movie sobre vingança e redenção. É mais que isso, possui crítica fortíssima para com a maneira com que os norte-americanos enxergam os mexicanos, através de uma fronteira física ridícula e preconceituosa. Tommy Lee está grande em seu filme, além de dirigir, também atua. E o faz com os méritos que sua carreira colheu. Foi reconhecido e venceu como melhor ator em Cannes, na ocasião. Há também a grande presença de Barry Pepper, demonstrando, mais uma vez, o excelente ator que é.

Dentre as figuras interessantíssimas que atravessam o caminho durante a projeção, vale destacar a sublime aparição do velho Levon Helm, o senhor cego de fala característica que pontua a estética e filosofia do filme, numa visão menos obtusa dentre o bem e o mal.

Fez sucesso em Cannes e conquistou a crítica especializada. Muitas vezes é pura fantasia. Nesse caso, não. São méritos próprios. Assista, e comprove a fina carpintaria que é esculpida em toda a obra, nascendo um novo produto de uma era preconceituosamente globalizada.

Voltando a questão de Arriaga, fica a pergunta; quem sairá perdendo com a briga de egos? Arriaga ou Iñarritú? Talvez o segundo. Apesar de grande diretor, o único trabalho de Iñarritú que assisti, sem a participação criativa de Arriaga, fora o segmento mexicano na plural visão da coletânea dos onze curtas-metrangens de diferentes nacionalidades, em "11 de Setembro". E não gostei nada do que vi. Já Arriaga parece ter vida própria além da fronteira México/EUA. Pretende dirigir seus próprios filmes, mais adiante, e, além de tudo, é excelente escritor e possui visão cinematográfica apurada, como seus roteiros comprovam.

Mas de fato, quem deverá sair perdendo com a briga, somos nós cinéfilos.

Torçamos para que nasçam mais "Três Enterros" por aí afora.

"Eu hoje mesmo quase não lembro que já estive sozinho"

Sexta-feira congelante em Sampa. A pedida foi o show do Nando Reis, no Palace, quer dizer Corporation Music Hall (Citibank Hall). Só para constar, dentre todas as opções para estacionar o carro, que variavam de 5 a 20 conto, a melhor opção foi parar na rua, mesmo. Não apenas por achar absurdo os preços dos Vallets, mas também por considerar o perigo em confiá-los serviço. Inclusive saiu no Guia do Estado (sexta-feira) uma matéria interessante sobre o assunto, do tipo "você sabe onde deixa seu carro?".

Enfim, divagações "pouca é bobagem". O show. Chegamos no horário marcado para o "evento". Depois de enfrentarmos três quarteirões e uma geada estávamos posicionados à fila para adentrar ao recinto. Devidamente cientes que o espetáculo começaria às 22:00, segundo o ingresso, chegamos às 21:45 e já se escutava o som de algo. Ou de alguém. No caso, a banda de abertura. Ou seja, Cachorro Grande já estava no palco fazendo seu show. Isso antes das tais vinte e duas horas, lembrando. Mas enfim, sem estresse algum. Estávamos de boa mesmo, mermão!

Pegamos o final do show dos sulinos, bem curto por sinal, e a conclusão fora de que ao vivo o som dos rapazes soa melhor. Ah sim, não fora de pista que estava marcado o evento, mas sim em mesas numeradas, e marcadas. Apesar de aconchegante, o esquema é muito brega. Fica numa linha entre a classe média e uma pseudo-burguesia que não convém ao espetáculo. Enfim, nada como o bom e velho -e barato- Sesc. Depois do show de abertura ter encerrado sua atividade às 22:10, a espera por Nando Reis fora longa. Ou seja, o que era marcado às 22:00 não fora comprido nem pelo bem, nem pelo mal. O show de abertura começou bem antes, e o do Nando, bem depois. Mas enfim, de novo, sem estresse, brow!

Quase às 23:00, Nandão na área! Atrás das cortinas estava Nando Reis, os infernais e um bela iluminação como palco, ou vice-versa. O show começou introspectivo, todos sentados, com "A Letra A" e outros hits menos pops da carreira de Nando. Entre uma música e outra, Nando conversava com a platéia com tom de prosa e, com isso, o show ganhou ainda mais caráter de aproximação entre o público e músicos. Algo que os presentes demoraram a entender, nos silêncios escutava-se gritos(!) de "toca aquela", "lindo", "gostoso" não combinando nada com o show.

Aqui vale um parêntese. Quando entramos no Citibank Hall, na nossa frente também entraram quatro mulheres e um rapaz. O rapaz estava apenas compondo o ambiente, ao que parece. As outras mandavam na mesa. Uma delas, a mais bêbada, e a mais loira, já demonstrou a que veio. Aos gritos de "Pra onde eu vou, não preciso de dinheiro", parafraseando o Cachorro Grande, nos moldes mais vergonhosos que a badalação permite, conseguiu chamar toda a atenção a si. Além de não parar de falar, também não ficava sentada um minuto sequer. O maior problema de um bêbado não é exatamente ele, mas seu companheiro que potencializa seu estado e sua "coragem". Pois é, a loira tinha a morena como comparsa de gritos, danças e micos. As duas não paravam um minuto e tentavam, em vão, lógico, chamar a atenção dos músicos. E como bêbado e encrenta tem tudo a ver, esta não demorou a ocorrer. Depois de gritos nada amistosos às garotas saltitantes (como "senta sua vaca!", "senta bêbada filha da..." ou "senta aê caralh..."), um dos presentes que estava ao seu lado teve seu momento de Seu Saraiva e se revoltou com a loira, quase espancando-a, literalmente. Esta, chamou o segurança e o rapaz, de maneira sensata, viu que a senhora estava bêbada e concluiu que defendê-la seria bobagem. Explicamos a situação ao segurança, que riu, ofereceu serviços caso algo mais grave acontecesse, e foi para seu posto novamente.

Ah claro, tudo isso ocorrendo durante o show do Nando Reis. Conclusão: o público dito como elitizado -recintos que cobram mais de R$40 por evento- paulistano é uma das coisas mais bregas que existem na face da Terra. E irritante. Imaginem uma mesa com Fernanda Young, Regina Casé, Rubens Ewald Filho, José Wilker (comentando cinema), Gugu e com uma pitada de Cabeção (na balada!) juntos! Foi assim que me senti em alguns momentos do show. Lógico, estou brincando, fora alguns incovenientes, o lugar estava ótimo.

Dentre as músicas tocadas no banquinho, Nando falava com seu público sobre a vida, sua carreira e a nova turnê que estreara em sua terra natal, com orgulho. Das diversas interjeições com o público, o ex-titã contou diversas histórias hilárias (sobre seu trauma com o "ruivismo") e interessantíssimas, provando o quão sensível e poeta que reside em sua persona.

Depois do momento mais cadenciado, veio a guitarra e o peso dos Infernais, elevando o show a um outro patamar. Tocou, nessa parte, a maioria de seus sucessos e encantou de vez o público presente. Além da banda que o acompanha ser excelente, as músicas ficaram maravilhosas ao vivo. Excelente do começo ao fim. Ainda mais acertado foi a maneira como Nando mexeu com a composição do show.

Como grande admirador de sua carreira (e também a de Arnaldo Antunes, para citar dois ex-titãs que encontraram muito bem seus caminhos, ao meu ver) pude saborear um espetáculo de qualidade irreparável.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Tão Longe, Tão Perto


Zodíaco
(2007)

Direção: David Fincher
Elenco: Jake Gyllenhaal, Robert Downey Jr., Mark Ruffalo, Anthony Edwards, Clea DuVall, Adam Goldberg, Dermot Mulroney, Chloë Sevigny.
Estréia: 01 de Junho
Eu: Depois de "Se7en" e "Clube da Luta", tá louco?! Tinindo!

quinta-feira, 24 de maio de 2007

Dançando no Escuro

Goste ou desgoste de "Baixio das Bestas", será difícil sair ileso depois de assistí-lo. O diretor pernambucano Cláudio Assis denuncia diversas questões, e talvez a principal, seja a impunidade. O papel do cinema muitas vezes é o de apontar o dedo para o que está errado. Cláudio o faz, e com a outra mão coloca o dedo na ferida do espectador até doer. Quando está doendo, o diretor aproveita e aperta mais. Quer saber até onde aguentaremos. Ou melhor, até onde ficaremos passíveis ao que acontece em tela. Tela? Cláudio filma a vida real. Por mais travestida que possa parecer, seu cinema é amparado pelo real. O filme é mais atual que nunca. Em tempos de Bush filho e de etanol, o longa apresenta a visão menos romântica e mais crível dessa adesão. Pode parecer apelativa, mas a cena em que o trabalhador torce a cana para que possa saciar dos respingos do sulco é potente, pontua o pensamento de Cláudio.

Em certa cena, Matheus Nashtergaele conversando com seus cabras profere, "Sabe qual é a melhor coisa do cinema? [pausa, traga a maconha, encara o público e...] é que no cinema você pode fazer o que tu quer.". Antes de ser acusado, ele acusa. Antes mesmo de se dizer que o filme é perverso, Cláudio já propõe a simbiose, e firma o acordo; todos somos perversos. Mais ainda, pergunta: e você aí sentado, está prestando mesmo a devida atenção no que ocorre? Está tudo bem? Está tudo bom? A partir disso é assumido seu caráter de afronte. Nisso seu cinema me pareceu dialogar com o de Lars Von Trier, e seu apelativo "Dançando no Escuro". Muitos amam essa apelação à violência e a tristeza. Já aqui,
não há pessoas cantando pelas engrenagens dos canaviais. E não há a perda da visão, e sim a perda do sentido. Considero o longa nacional muito mais triste que o de Von Trier. Lá a violência é psicológica e muito bem pensada, e mais importante. Quer a todo custo ser triste e fazer chorar. Aqui é escondida nos cantos de um Brasil que ninguém quer enxergar. A cegueira é social. Um povo fadado à invisibilidade para sempre. E tristemente, têm consciência do fato agindo de tal modo. Não há lágrimas ao final da sessão, é sentido no estômago não na consciência do bem e do mal, claramente definidos.


Em Baixio há sexo, há violência física e psicológica, e também há muita pobreza. Renato Russo já dizia que a ignorância anda de mãos dadas com a maldade. Os personagens masculinos são escrotos, e acima de tudo ignorantes ao máximo. E completando o pensamento, são, portanto, maldosos. A maldade e a perversidade não está apenas contida na riqueza, o filme nos diz. Na pobreza também há ela(s), e em dosagem cavalares. Na cidade inóspita ninguém saberá nunca da existência dos acontecimentos. Ou então, nunca tomarão nota de suas próprias existências. Nem eles, ao que parece, entregando a vida à boemia, putaria e violência. O desmistifica que só há impunidade em classes sociais elevadas pela hierarquia. Somos todos humanos. Portanto, igualmente perversos. Ricos ou pobres.

Os personagens no filme agem por impulso da dominação através da hierarquia de valores, não de classe. Se fossem policiais, políticos, agentes penitenciários, fiscais tomariam as mesmas atitudes, mas em Baixio, o poder não se faz valer pelo valor monetário que pode extorquir, mas pelo poder do culhão, do macho alfa. O pinto duro, pulsante e dominante. Os personagens masculinos aparecem nus com naturalidade. Contrariando o que se vê no cinema. O corpo feminino sempre foi filmado sem muitos pudores. É belo, equilibrado, possui "estética" cinematográfica. Em Baixio os homens podem fazer o que quiserem, até mesmo andarem pelados por todos os cantos. Se há o corpo feminino descoberto, o está também desnudo de moral. Estará jogado a uma única função, a de rebaixamento de valor.

Contanto, depois de tanta frivolidade, crueza e realidade, também há plasticidade. A observação pode ser inapropriada, já que uma coisa não invalida a outra. Mas aqui, Cláudio utiliza de Walter Carvalho (o mestre da fotografia) em prol de uma imagem real "falsamente" crua. Filma em widescreen, e em película. O tema pediria uma obviedade na composição imagética, e obrigaria o diretor a optar por uma imagem mais granulada e um aspecto mais introspectivo de tela para sufocar o espectador. Mas Cláudio faz do aparato sua estética da fome. Não estou elucidando o termo como fora, anteriormente, para criticar o trabalho de Fernando Meirelles em "Cidade de Deus". Aqui, só faço a observação, passível de crítica. Não achei a opção acertada, admito, mas de qualquer forma há o contra ponto da provocação que Cláudio enfatiza em toda sua obra.

Os atores estão excelentes. É o ano de Caio Blat. Com três longas, simultaneamente, em cartaz pela cidade, o ator paulistano se consagra de vez como um dos nomes mais fortes da cinematografia nacional. Mercecidamente. Está muito bem caracterizado em "Batismo de Sangue", excelente em "Proibido Proibir", e impecável em "Baixio das Bestas", como o agroboy que pode ir e vir. Trabalhou em pouco tempo com três diretores de estilo e estética totalmente diferentes. Disse ficar impressionado com o processo de criação de Cláudio Assis. Os caminhos foram sendo moldados nas filmagens e a violência para com as mulheres ganhou mais relevância com o tempo. Matheus, Dira Paes, Hermylla Guedes também estão excelentes, como sempre. Só a última que tem participação reduzida a uma ou duas cenas. E sua última cena é a do estupro. Pode parecer convencional, mas nada mais me impressiona depois de "Irreversível". Apesar de Cláudio utilizar do mesmo recurso do plano-seqüência para filmar a brutalidade, o resultado é menos doloso, e menos (in)crível. Parece poupar um pouco o espectador. E a cena fica com aspecto demasiadamente coreografada e pouco convulsionada se comparado ao longa do argentino Gaspar Noé.

Cláudio Assis fez mais um tratado sobre a impunidade. Será muito fácil ser mal interpretado, seu ode ao (não) manequeísmo poderá sair pela tangente nas críticas pós-obra, podendo elevá-la tanto ao inferno como ao céu. Mas uma coisa é certa. Você, ao assistir o filme, tampouco sairá impune.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Eu, Você e Todos Nós

Acabei de assistir a um debate proporcionado pelo canal Futura sobre um assunto seríssimo e pouco explorado não só no Brasil como no mundo, que é células-tronco. Benefícios, eficácia, ética e avanços científicos. Participaram do debate algumas personalidades que não vou lembrar-me seus nomes, mas tratava-se de um cientista, a favor das pesquisas com células-troco, uma pesquisadora da UNESP, radicalmente contra, e uma outra senhora da qual não lembro seu cargo especificadamente, mas que ficava também a favor da pesquisa por outros motivos. E, lógico, no centro da questão, mas não do debate, estava o músico Marcelo Yuka.

Vou tentar minimizar e simplificar a questão ao máximo, mesmo que não seja esse intuito da discussão, mas apenas como forma de entrar no assunto. Seguinte: há um bom tempo ocorre esse embate entre a a Igreja e a Ciência em um prisma Ética e a Vida. A ética e a vida nesse ponto assumem caráter ambíguos, estão nos dois lados, mas possuem interpretações completamente opostas. Se por um lado, para os católicos, fazer pesquisa através de células-tronco embrionárias vai contra seus dogmas religiosos, já que essas poderiam gerar uma vida mais adiante, para a ciência não se trata de desperdiçar vidas, mas de utilizar-se de tal meio para facilitar ainda mais a vida de muitas pessoas.

Nisso entra mais um debate proporcionado por personalidades que divergem em suas opiniões. O que mais me espanta é a agressividade com que o assunto é recebido por entidades religiosas. Não se tem um aspecto a ser discutido, mas um ponto conciso em uma opinião intransigente que não enxerga o assunto como uma discussão para esclarecer o assunto, é heresia tentar defender a vida de uma outra forma. Não estou dizendo que, com isso, estou cem por cento ao lado da ciência, mesmo porque acredito que há muita política, dinheiro e jogo de verdade por trás.

A Igreja acredita que estudar as células-tronco embrionárias é mexer com a vida, e não se pode "brincar de Deus". Porém, paradoxalmente, ela mesma entrega uma palavra final à sociedade que tem de aceitar como verdade absoluta. E o brincar de Deus é invertido de papel. Mas também isso não é muito novidade. Essa mesma Entidade já aprovou a escravidão, teve cumplicidade com o Holocausto, acusou, sentenciou e matou milhões e é fervorosamente contra a camisinha, aborto e outras práticas consideradas ilegais e sentenciadas por um Estado que se diz separado da religião, mas que faz por menos, seja pelo descaso ou pela homologação das mesmas crenças que se encontram em uma mesma posição mais a frente em leis e incentivos.

Entremos no ponto chave da discussão. Milhares de pessoas hoje sofrem por estarem a margem da sociedade, seja por conseguir incentivo financeiro ou humano para que possam receber um coração, medula, rim, pulmão, células-tronco e qualquer transplante que o valha. Dentre essas, estão pessoas notórias como os músicos Marcelo Yuka e Herbert Vianna, que podem defender suas posições publicamente. Embora cadeirantes de causas diferentes, defendem mesma posição a favor das pesquisas em prol da vida. Yuka, no debate de hoje, disse certa hora que é irrelevante, hoje em dia, a discussão entre igreja e ciência. Tem de se abrir essa discussão a uma escala maior que concentram seus valores fundamentalistas, não se deve ficar comprimindo o assunto a valores morais e científicos, deve ser muito mais filosófico.

Entra a questão que sempre penso: quem pode/deve decidir o que é bom para a maioria. As leis que regem sobre um Estado são sensíveis ao ponto de entenderem o real valor da vida? O quanto as leis são dignas de suprirem a complexidade da vida em todos as suas variações? O quanto disso é moral, ideológico ou ético?

Para considerar, acredito que a Igreja é uma Entidade falida nos dias de hoje. Tanto por sua posição retrógrada e hipócrita para os acontecimentos no mundo atual. Seus dogmas são arcaicos e medievais. Não estou criticando a fé das pessoas que depositam sobre Ela. Acredito que a fé, realmente, é um elemento indispensável a vida. Mas não acredito nessa fé ministrada por seres humanos que as interpretam e as definem onde outrens deverão concentrá-la. Enfim, para mim, o papa não me emociona, a Igreja é hipócrita e o Estado é o maior criminalista e formador de criminalidade. Não se trata de uma revolta vaga e insconsistente, mas de uma visão realista, e talvez muito ingênua, do que ocorre hoje.

Enquanto discutimos a aprovação de leis, incentivos fiscais e ampliações tributárias, vidas estão jogadas ao descaso de uma democracia deficiente. Está sendo votada, nesses dias, no Congresso, a respeito da maioridade penal. Dentre os votos de diversos político há o assustador índice de 11% favoráveis à pena de morte para crimes hediondos. A pergunta que fica é: com que base e ética essa decisão se torna lícita para tais pessoas?

Enfim, Yuka pontuou o debate não chamando a atenção para si, mas para a vida como um todo. Mais colocou em dúvidas tais filosofias fundamentalistas que as criticou como as mesmas fazem contra posições como as dele. Em certo momento a pesquisadora da UNESP contra a pesquisa de células-tronco disse, "essas pesquisas não estão dando certo. Eu quero é ver o que dá certo, quero ver o que está andando...". Yuka, nesse momento, a interrompeu e disse, "Só sei que quem não está andando aqui, sou eu senhora.". E é exatamente esse ponto. Até quando discutiremos em uma sala fria em papéis sem vida aprovando leis que seguem dogmas e não reconhecem que por trás de toda uma moral infudada há a vida. Pulsante e enfraquecida por uma "maioria". Yuka disse também "e eu que não sou católico? Tenho de ficar a mercê da religião até quando?". Tudo que a Igreja faz, hoje e sempre, para mim será uma das maiores contradições humanas. É a favor da vida. Mas de quem?

Acredito que o Marcelo Yuka seja uma das figuras mais emblemáticas, politizadas e conscientes que há no mundo notório da "mídia". Admiro absurdamente sua personalidade e caráter. Com composições -no mínimo- inteligentes, Yuka sempre foi um defensor da vida e de seus direitos. Quando levou os tiros que o deixaram na cadeira de rodas, não se esquivou do que sempre acreditou, e de maneira admirável não se vendeu, se utilizou ou se colocou como vítima do mesmo sistema que acusa. É apenas mais um deficiente físico, mas com caráter de liderança que há tempos não se via. Ele saiu de uma banda que poderia lhe dar uma notoriedade ainda maior. Notoriedade esta, essencial nos tempos de hoje, de nossa juventude e geração sem foco.

Estou num desses dias que tento escrever muito, mas acabo não escrevendo nada. Quero falar muito e acabo dizendo pouco. Estou decepcionado e frustrado com tal assunto. Não sei mais o que escrever sobre o assunto, hoje. Estou travado. O texto deve estar incongruente, mal redigido e cheio de focos díspares. Mas enfim, espero que a discussão se abra cada vez mais, e ganhe o devido espaço que mereça. E com muita urgência.

E, sim, sou extremamente a favor da pesquisa realizada com células-tronco embrionárias, se isso não ficou claro. Considero a causa tão nobre quanto qualquer pesquisa científica em prol da humanidade. Isso tem de se maior que qualquer moral ou posição política. A vida é muito curta, única e valiosa para ser menosprezada às avessas.

Só para finalizar, hoje no canal GNT, Marília Gabriela entrevistou Ivete Sangalo (reprise do programa de domingo). Esta muito consciente e inteligente. Em certo momento a entrevistadora elogiou o -enorme- anel, de diamantes, de Ivete. Esta, sem pensar duas vezes, tirou-o do dedo e presenteou Marília. Sem graça a apresentadora "teve de aceitar o presente". A questão é, para Ivete a grana em um anel de diamantes não faz tanta diferença. Por méritos próprios, diga-se de passagem. Lutou, suou, investiu e está onde está. Ilumina os palcos por onde passa, transmite alegria para muitos que a escutam e gera felicidade em seus trios elétricos e shows. Mas até onde o que esta ganha é tão mais importante que um trabaho de um lixeiro, por exemplo? Este coleta todos nossos dejetos, diariamente, passa por diversos cantos da cidade, mantém o fluxo e a limpeza, e por assim ser, a dinâmica de toda uma cidade. Quem pode julgar esse trabalho menos valorizado que o de Ivete? Por que ela é tão recompensada pelo próprio suor, e eles não?

Sabemos a resposta, e não estou utilizando a Ivete como bode espiatório, mas apenas como um exemplo isolado que veio à tona em um dia conturbado de idéias. Quem somos nós para julgar o que é mais importante, mais valoroso ou mais digno?

Ah sim, os dois programas que assisti, hoje, foram proporcionados por canais pagos. Ou seja, excludentes.

Somos tão pequenos.

terça-feira, 22 de maio de 2007

V de Vingança

Bom, muitas coisas a se falar ou blogar em relação a filmes recentes. Por onde comecemos? Não sei, vou falando o que der na telha. Então...

Por fim assisti ao último capítulo da trilogia de Homem Aranha. Não gostei. Quando fora este anunciado junto com sua premissa, fiquei entusiasmado já que seria uma grande oportunidade de elevar o nível da série em um embate psicológico interessante entre o bem e o mal dentro da mesma pessoa. Ou então, de um herói numa época falida para sua trupe, pós atentado 11 de Setembro.

Pois bem, de um tempo para cá os filmes de heróis ressurgiram como uma febre nas telonas, amparado muito também pelo sucesso da franquia do próprio cabeça de teia. Não havia gostado muito do primeiro filme. Achei-o interessante, divertido e vazio. Apenas isso. O que talvez seja o melhor elogio que os produtores poderiam ouvir. Porém, para seu diretor, creio eu, não. Sam Raimi é um diretor que obteve sucesso na carreira por fazer filmes autorais interessantes. Como o clássico trash "Evil Dead", "Darkman", além de filmes interessantes como "Um Plano Simples" e "O Dom da Premonição". Há quem diga, ainda, que o diretor tenta fazer no cinemão filmes autorais. Concordo em partes.

Voltando a questão principal "Homem-Aranha 3", para mim, é muito manequeísta, esquemático e simplório. É divertido, mas apenas diversão nesse caso não basta. O roteiro é fraco por não apresentar soluções interessantes a situações conflitantes dentro da persona do herói. Os diálogos, meu Deus! Chegou a um momento em que o cientista vivido por Dylan Baker, ao analisar a espécime preta que adentra o herói e faz dele seu lado Venon, diz "Nossa! isso parece ser perigoso. Uma espécime simbiótica, que quando gruda... [fechando plano] é difícil de desgrudar!" Tchan! As cenas envolvendo a família do Homem-Areia também são dispensáveis e constrangedoras.

Outra questão levantada no filme, se não a principal, é a vingança que não é plena, mata a alma e a envenena, literalmente. Mas o tom é uma discussão levantada no filme para com o próprio país. Pode ter sido uma crítica ao governo ianque e sua cultura pop atual, que se vende muito fácil. O sucesso sobe à cabeça de Peter Parker, também, e só reencontra o seu eu interior quando é ancorado pelo valor familiar e amoroso. E quando isso acontece, vem à tona a figura emblemática do herói travestido de azul e vermelho em uma paisagem refletida pela bandeira norte-americana. Nada muito sutil.

Mas o filme não é de todo mau. É interessante em alguns aspectos particulares. Como na hora que seu lado rebelde o invade e este transforma-se em emo. Voltando a questão crítica para com a cultura pop contemporânea, será essa incursão proposital? Há resquícios de cinema autoral em certas cenas, como a do bar. Mas esses vão se esfacelando pela própria indústria que tem de vender o filme ao máximo de salas possíveis, lucrando até o limite. Para tal tem de diminuir também a censura de seu filme para atingir outra faixa etária consumidora. Com toda essa estratégia de venda, o filme vai se entregando a um golpe letal que o mesmo critica, sendo tragado pela própria alma.

E essa de verdade, quando gruda... é difícil de desgrudar!

quarta-feira, 16 de maio de 2007

Simpsons - O Filme



Sem comentários...

terça-feira, 15 de maio de 2007

Música em Cena

A palestra de hoje (ontem) foi excelente. Depois de um atraso de meia hora, devido a problemas costumeiros nos Aeroportos do país, Gustavo Santolalla entrou depois de duas vinhetas apresentando o projeto Música em Cena seguido de outra que fazia recortes de todos os filmes para que compôs. Ao começar o debate, Rubens Ewald Filho, o mediador, não teve vergonha do ridículo e fez uma pergunta "a la Caras" (como o mesmo definiu), e indagou como é a sensação ao se ganhar um Oscar. Depois da óbvia resposta, Santaolalla falou, e falou bem.

Ao ser perguntando o quanto de argentino reside em sua pessoa, já que vive mais fora que dentro da terra natal, falou que muito, quase que completamente em razão de suas influências e a maneira como encara a vida. Acredita que a pessoa tem que saber de onde veio, o que é, para assim, ter noção de onde quer chegar, e o porque do objetivo. E terminou a resposta dizendo que, na verdade, se enxerga mais globalmente, e se considera como latino-americano que simplesmente um argentino. Mais uma vez enfatizou sua preferência para as músicas minimalistas para os trabalhos que compõe. Acredita que o público tem que ter oportunidade em respirar por entre as cenas, e o silêncio é extremamente importante em sua composição artística criativa. Muito interessante, mas nessa hora os mais desatentos não perceberam que Santaolalla respondeu mais sobre o que é ser argentino que na pergunta anterior. O cinema argentino possui essas mesmas características que o compositor afirmou ser importante em sua obra.

Comparou como é trabalhar com diretores tão distintos como Alejandro González Iñarritú, Michael Mann, Walter Salles. Iñarritú é perfeccionista, Salles é mais light, como o mesmo definiu, e Mann é introspectivo. Em sua primeira conversa com o americano, sacou o instrumento, tocou, e o diretor ainda em silêncio gostou do resultado. Esperou um tempo e recebeu um cd com algumas músicas compostas. Disse ser uma pena não poder contar com aquelas músicas, já que seriam perfeitas para o filme. Santaolalla adorou, e retrucou, "mas as compus, exatamente, para o filme!". E foi assim que teve participação na trilha de "O Informante". Seu processo criativo varia. Em alguns filmes recebe apenas o script e cria suas músicas a partir da lauda. Em outros, vê o filme pronto ou então, como no caso de "Brokeback Mountain", cria a trilha antes de tudo, para que o diretor possa inspirar os atores para as cenas tocando-as nos sets de filmagem.

Está para lançar mais dois filmes com suas trilhas. O primeiro, já finalizado, é o novo longa de Sean Penn (na direção), "Into The Wild", e o outro é o próximo de Walter Salles com produção de Coppolla, "On The Road". Disse ser muito seletivo em suas escolhas profissionais, e o que o Oscar mudou para ele foram as propostas em número e valor monetário mais largos. Não à toa trabalha com diretores tão notórios. Não pretende entrar na indústria cinematográfica hollywoodyana, por isso mesmo não se sente membro da Academia, mesmo tendo dois Oscars na bagagem.

Além de compositor de trilhas para diversos filmes, é também produtor e toca ao vivo com banda. Banda essa, que se apresentou essa noite na capital paulista. O tal Bajofondo Tangoclub fez sucesso retumbante no Rio de Janeiro, com uma apresentação magnífica, segundo os presentes. Dentre eles, Walter Salles entusiasmado com o companheiro de trilha de "Diários de Motocicleta". No Rio teve participação de Marisa Monte, tocando quatro músicas com a brasileira (disse ter ficado encantado quando a ouviu, ao vivo, pela primeira vez), abertura de Arnaldo Antunes e André Abujanra. Tocou suas trilhas mais famosas em um momento mais solitário e depois dividiu o palco com a banda em uma alquimia que empolgou o público. Prometeu o mesmo para São Paulo. Deve ter sido, realmente, fabuloso.

Ao final da palestra, tocou seus "sucessos". Impressionante! O cara é excelente! Ao vivo é o mesmo que nas telas. A emoção é igual. Quando começou com os primeiros acordes de "Babel" foi de arrepiar, seguido pelo maravilhoso tema de "Brokeback Mountain" e de "Diários de Motocicleta". O público presente adorou, e aplausos calorosos foram a conseqüência. E, claro, além de tudo Santaolalla é extremamente simpático e simples. A fachada de dois Oscars, ou melhor, o deslumbre pelo sucesso muito conhecido por aqui, não faz parte de sua persona. Um grande músico e uma excelente pessoa. O prazer foi todo nosso.

PS: para escrever este post, como inspiração, estou ouvindo a trilha sonora de "Babel". É demais! Recomendo!

Mais Estranho Que A Ficção

Para terminar o dia com uma notícia que espantou-me quando li, é que Lars Von Trier ("Dogville", "Europa", "Manderlay") saiu agora de uma clínica por tratar uma profunda depressão que o fez repensar a carreira. Internado em Copenhague a pouco tempo atrás, disse passar por uma crise criativa gravíssima. Diz se sentir como em uma constante folha em branco para com sua criatividade. Se antes tinha em mente dois ou três projetos sempre afiados, agora nem seu novo longa, a parte final da trilogia que critica os EUA iniciada por "Dogville" e seguida por "Manderlay", deve sair do papel. Disse que será difícil realizá-lo, e mais ainda, voltar a ser diretor de cinema.

Triste para cinéfilos e para a arte em si. Mas mais triste ainda para sua pessoa. Uma pena, tomara que isso passe logo. São, apenas, fases difíceis, acredito.

domingo, 13 de maio de 2007

Cinema, Música e Urubus

Antes de qualquer coisa, "Symphathy For Lady Vengeance" é muito bom! Park Chan-Wook possui estilo tão próprio que é difícil não saber que se está assistindo um filme seu. Principalmente em sua trilogia da vingança, em que os filmes têm muito a ver uns com os outros. Em aspecto imagético, principalmente. Depois comento com mais calma sobre o filme, mas tenho de revê-lo, pois ainda me pareceu inferior a seus anteriores. O que não tira seus méritos, de maneira alguma, e vale à pena!

Duelo de Titãs

Sexta-feira revi um filme que por um bom tempo havia me despertado interesse. Ultimamente estou revisitando o cinema de Michael Mann. Considero-o muito inteligente e autoral. E é em "Fogo Contra Fogo" que atinge o máximo de sua cinematografia. É charmoso do começo ao fim. Penso eu, que se este fosse filmado, hoje, em digital como está acostumado a fazer ("Colateral" e "Miami Vice") o resultado seria ainda mais elegante. O filme pede essa crueza em captar os movimentos de toda a magnitude de uma grande metrópole.

O roteiro é muito inteligente e possui toda aquela sensualidade narrativa dos filmes de Mann. A inteligência nos diálogos e a proeza em tornar crível o incrível são suas marcas. Para começar há a cena de assalto que te joga para dentro do longa nos primeiros minutos. De Niro está em cena. Também está Val Kilmer. Já sacamos o que nos espera. Enquanto De Niro lidera seu bando, Pacino faz sexo com sua mulher. Os dois estão no mesmo filme. Mann não tem pressa em produzir o encontro de mestres sagrados da atuação. Acerta em cheio em sua concepção, já que a partir dessa apresentação, a tensão é crescente, e o público anseia o clímax. O encontro.

"Fogo Contra Fogo" não se limita ao esteriótipo de filme de ação ou como muitos críticos dizem; "o melhor da década de 90", pode até ser verdade, mas isso o limita a um rótulo perigoso. O fato é que Mann acerta em cheio com um roteiro que preenche seus 172 minutos de projeção com cinema autoral inteligente, interessante e penetrante. Tudo que ocorre em tela é acertado. Há complexidade nos personagens que enfrentam a própria existência além da guerra civil dentro de uma cidade corrupta. Em casa o confronto é muito maior que nas ruas. No silêncio de seus lares as lacunas expostas têm de ser preenchidas com cuidado e suas personalidades são confrontadas pelas próprias ações que executam no dia-a-dia de suas rotinas. De Niro não ama por completo, e Al Pacino ama pela metade.

Em razão de um desenvolvimento narrativo (e de personagens) tão bem definido(s) o encontro torna-se ainda mais marcante. Acontece em um restaurante. Estão sentados um à frente do outro. Só os dois e mais ninguém. A conversa consegue soar poética e os personagens entram em segundo plano, já que Pacino e De Niro estão em cena, juntos, pela primeira vez. Estavam também em "O Poderoso Chefão - Parte II", mas não contracenaram juntos, o tempo cronológico da história impossibitaram-nos. Aqui, finalmente, estão reunidos na mesma cena. Os dois personagens são grandiosos. A voz rouca de Pacino e o olhar franzido de De Niro frente à frente fazem da cena uma das melhores em minha mente do Cinema atual. Um diz ao outro "e se nunca mais nos encontrarmos?", o outro responde através de gestos que a vida é assim. Não estavam dialogando na pele de seus personagens, e sim de suas carreiras. Alguns dizem que a partipação que tiveram juntos é pequena demais. Mas Mann é um grande diretor. O menos é mais, e sabe disso. O filme inteiro contém dois personagens fascinantes. Se estão juntos ou não na mesma cena, não importa, a tensão envolta e a presença dos dois preenchem cada espaço da película.

Além de John Voight, Ashley Judd, Dennis Haysbert, o elenco conta com Val Kilmer. Está excelente. Seu olhar faz seu personagem. E para completar, também contamos com uma Natalie Portman com 14 anos de idade. Al Pacino é seu padrasto. Natalie desde pequena exibe talento e uma fina beleza, de sobra. É curioso observar seus cacoetes de atuação com apenas 14 anos de idade. Hoje não mudou nada, só adquiriu mais experiência, reconhecimento e beleza (de mulher). Enquanto Kirsten Dunst estreou nos cinemas com outra dupla notória (Tom Cruise e Brad Pitt) em "Entrevista Com o Vampiro", Natalie, praticamente dá seu pontapé inicial (antes havia protagonizado dois filmes) com outro encontro, aqui, muito mais relevante.

O filme revisto nos dias de hoje, é mais empolgante, para mim. Valeria só pela cena do restaurante, mas ainda assim consegue "ser um dos melhores filmes da década de 90", admito.

Encontros

Amanhã (hoje) tem encontro na Puc (TUCA) com o compositor Gustavo Santaolalla. O rapaz é argentino e autor das trilhas dos filmes "Amores Brutos", "21 Gramas", "Terra Fria", "Diários de Motocicleta", "Brokeback Montain" e "Babel", esses dois últimos lhe renderam os Oscars de sua carreira. A palestra promete. Será ministrada por Rubens Ewald Filho. Dizem que será em inglês. O porque ainda não sei, mas se o for, pra mim, é absurdo. Em entrevista concedida ao Estadão disse que sua maior referência musical não pertence aos compositores cinematográficos sagrados como Nino Rota, John Williams, Bernard Herrmman ou Ennio Moricone, mas sim John Lennon. Diz não gostar de trilhas tão eloqüentes, prefere as minimalistas, pois, ao seu ver, com música em demasiado pode-se transformar uma cena dramática em dramalhão. Seus trabalhos provam exatamente isso, e o resultado é atingido dessa forma. Amanhã, portanto, promete.

Música em Cena no TUCA às 15:00. Para não estudantes da PUC, chegar uma hora antes do evento, para retirada de senhas.

E para finalizar, duas dicas para a televisão à cabo.

| FILMES DO DIA - dicas Tv à cabo |

Para quem ainda não assistiu o longa de Sam Mendes, mais conhecido como diretor de "Beleza Americana", sobre a Guerra do Golfo proporcionada por Bush pai, chamado "Soldado Anônimo" é uma boa opção para o dia às 19:40 no Telecine Premium. Jake Gyllenhaal está ótimo, assim como Jamie Foxx e Peter Sarsgaard. É clara a crítica para com a Guerra ao terror de Bush filho, nos tempos de hoje. Trata-se de um bom filme de guerra que foge do gênero muito comum aos filmes típicos. Vale à pena!

E para os admiradores do (excelente) novo cinema argentino, há a possibilidade de assistir "O Abraço Partido". Filme de Daniel Burman, que fez recente sucesso com seu novo filme na última Mostra de Cinema de São Paulo, com seu "As Leis da Família". "O Abraço Partido" será exibido às 22:00 pelo Telecine Cult. Boa história, atuações naturais, narrativa seca e ágil, dramático sem ser piegas e seco sem ser blasé são as marcas do novo cinema argentino, que também está contido no filme de Burman. Não perca!

Há também o décimo primeiro episódio da série "Lost", mas isso todos já sabem, portanto, buenas!

sexta-feira, 11 de maio de 2007

O Papa Veste Prada

Vejam só, não estou acompanhando nada em relação a visita do Papa ao Brasil. Não por estar sem tempo, mas por falta de interesse, mesmo. Achava a Igreja Católica uma instituição falida nos tempos atuais. Ledo engano, ou melhor, que ingenuidade! Voltando ao assunto de que minha "cobertura" a visita papal está falha, é muito em razão desse pensamento incongruente, admito. No mundo de hoje, ele ainda continua uma figura emblemática, é a Santidade vestido de branco, e tem voz ativa em muitas famílias. Pacaembú lotado, hotéis com milhares de pessoas acumuladas à frente para poder fotografá-lo, vê-lo, dar tchau (e benção) me parece mais evento artístico cultural. Ou seja, ele continua pop. E ainda por cima, comove, até hoje!

Não é carismático, tem cara de alemão ranzinza (ou então, ah, deixa pra lá) e é super conservador. Mas ainda assim, sua voz é a voz de Deus. O problema que hoje no mundo, existem diversos Deles. Mas ainda no Brasil, o Deus católico é predominante. Sua visita não fora apenas para canonizar o frei Galvão, dizem ser mais emblemática na questão da camisinha e do aborto (principalmente). Milhares de jovens gritaram hoje no Pacaembú "Hey Papa, cadê você, eu vim aqui...", não, estou brincando. Estes, sim, gritaram, "Não ao aborto!" em uma voz uníssona. A questão é complicadíssima, mas para o catolicismo não há nada de errado, se estes, logicamente, não forem contrários a seus princípios (retrógrados).

Bento XIV veio também, dizem alguns (ou algum, tomara que não esteja furando a reportagem de ninguém) para conter a teologia da libertação aqui no Brasil. Enfim, esse papa não está para papo furado. Só sei que sua visita, para mim, é muito mais política que religiosa. No mundo de hoje papas vestem ouro e nós vestimos pra dar (o que comer).

Invasão, Senhorita e Bestas

Não queria falar sobre o papa, mas foi maior que eu. Enfim, voltemos ao Cinema. Hoje têm estréias. E das boas! A começar temos o nacional "Baixio das Bestas", de Cláudio Assis ("Amarelo Manga") que fez sucesso retumbante na crítica especializada. Dizem ser visceral e cheio de conteúdo para dar o que falar. Ainda temos no elenco Dira Paes, Matheus Nachtergaele e... Caio Blat! Ele novamente! O garoto está em alta. Três filmes em cartaz na cidade! Bom para nós. Suas escolhas são sempre interessantes.

Tem "Invasão de Domicílio" com Jude Law, Juliette Binoche e Robin Wright Penn (o Penn é por parte do ator, Sean). O elenco é excelente e o trailer parecia promissor, mas o problema, para mim, é quem assina o projeto. Não gosto de Anthony Minghella. Considero seu cinema fantasiado de glamour e com pouco conteúdo. É piegas demais para meu gosto. Como podem ver, não gosto de "O Paciente Inglês" e guardo ressalvas para com os bons "Cold Mountain" e "O Talentoso Ripley". Como disse, são bons, mas poderiam ser muito melhores, e isso em razão do rapaz, acredito. Mas estou à fim de ver o filme. Tomara que eu quebre a cara.

Há também "Um Crime de Mestre" com Anthony Hopkins e Ryan Gosling. A história é batida. Sobre assassinatos, coisa e tal. O que pode tornar o filme interessante é Hopkins e Gosling, que vem ganhando cada vez mais notoriedade em razão de consecutivos elogios à suas atuações, e sua indicação ao Oscar deste ano. Não havia interessado-me pelo filme, até ler Merten dizendo que também não tinha a intenção, até assistí-lo. Depois disso gostou bastante do que viu. Um (bom) ponto a favor. Acho que vou pensar melhor, agora.

E por fim, "Lady Vingança"!!!! (as exclamações são por minha conta, relevem). Para quem leu os posts anteriores sabe o quanto estou louco para assistir o tal "Sympathy For Lady Vengeance", parte final da trilogia concebida por Park Chan-Wook, precedida pelos excepcionais "Sympathy For Mr. Vengeance" e "Oldboy". Vi esses dias um outro filme de Chan-Wook que não havia assistido. "Zona de Risco", que também é um p... filme! O cara realmente tem a pegada. O filme está passando em três salas. Frei Caneca, HSBC Belas Artes e Cine TAM (conhecido também como cinema do Shopping Morumbi).

Há outras estréias ainda nesta sexta, como "O Amor Pode Dar Certo", com Amanda Peet (!) e "Conversando Com Deus". Depois comento sobre eles, se for pertinente.

Dá-me licença que agora vou ver se o papa está na esquina.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

Fique Esperto! | KOOP |


Som dos bons! Não me sai dos fones, junto com outras coisas, admito, mas ultimamente tem ganhado grande espaço em meu repertório musical inspiratório. A banda é o tal Koop. Na verdade é um duo, sueco. Magnus Zingmark e Oscar Simonsson o compõem. Baseados no jazz, fazem samplers e criam suas músicas através de um punhado de referências. A base é o jazz, mesmo, mas passeiam pelo funk, valsa, blues, techno e por aí vai. O vocal feminino é o tom que acerta toda a composição artística, remetendo-nos aos anos 50.


Um jazz delicioso abraçado por um ritmo dançante fazem de Koop uma banda excelente, criativa e indispensável em um som ambiente. Para conferir um de seus resultados artísticos, assista ao clipe, acima.

Banda: Koop
Música: Come To Me

Lado B Lado A

E para não perder o bonde dos fatos recentes, a França elegeu Nicolas Sarkozy. O novo presidente é direitista ferrenho. Até aí nenhuma novidade. Jacques Chirac e seus antecessores também o eram. A diferença, agora, está no fato do novo presidente não ter pudor algum em fazer tal afirmação, pelo contrário. Vangloria os valores direitistas, e os utilizou para ser eleito, derrotando Ségolène Royal e a esquerda francesa, de vez. Depois da derrota, a frente esquerdista francesa há de passar por uma renovação urgente. As frentes direitistas vêm desempenhando figura carimbada nas últimas eleições presidenciais francesas.

A história têm muito dessas. Um país com um passado glorificado pela Esquerda e por uma grande Revolução, hoje faz o contrário que sua história tangeu. Na Espanha, por exemplo, isso também ocorre, mas de maneira inversa à francesa. Com resquícios de Franco e sua ditadura, hoje o país é politizado e esquerdista. Assim como a Itália e por aí vai. Voltando a Sarkozy, este em entrevista bate-pronto, respondeu uma das perguntas que diziam "com que personalidade você gostaria de ser fotografado, junto?", sem pestanejar, o (novo) presidente elucidou sua posição política: Tony Blair.

E enquanto isso, na América, a daqui, Latina, a Esquerda vêm tomando cada vez mais a razão. No Equador, em um grande referendo foi-se aprovada uma nova Constituição ao país. Seu presidente, Rafael Correa, eleito no início do ano disse que irá fazer "um governo dos indígenas". Pouco comentado por aqui, o fato merece bastante atenção, principalmente social e histórica. A vitória a favor de uma nova Constituição fora esmagadora, e representa muito mais que o fato isolado em um país latino-americano.

Já na França, a vitória direitista não foi tão larga, apenas nas classes mais altas onde foram gritantes as porcentagens de voto, mas ainda assim a Direita comanda, agora, como nunca, ao que parece, la France.

Confissões de Adolescente

Li há pouco tempo atrás um livrinho com pouco mais de cem páginas, bem interessante, chamado "Cem Escovadas Antes de Ir Para a Cama". Trata-se de um relato em primeira pessoa, com caráter de diário de uma adolescente italiana que em plena crise de identidade juvenil faz terapia através da escrita. Conta tudo e mais um pouco. Fez sucesso na Itália vendendo mais de 500 mil exemplares, e fora traduzido, posteriormente, para 24 países. Se é um bom livro ou não, é critério do leitor. Pelo menos é sincero. Há o clichê do genêro Lolita, e pode-se compará-lo a muitos outros. Sairá perdendo se o fizermos, só para citar um recente, o francês "Hell - Paris 75016" segue os mesmos moldes do livro italiano, mas seu resultado é infinitamente superior. O que não vem ao caso, agora.

Cheguemos ao ponto. "Cem Escovadas Antes de Ir Para a Cama" virou o filme "Cem Escovadas Antes de Dormir". O leitor menos atento não notará a diferença entre os títulos, porém o segundo, o do filme, substitui uma palavra e elimina o duplo sentido. Não à toa. A fita também parece ser puritana e romântica demais para com a obra literária. E pior, as roteiristas (duas) parecem não ter sequer lido o livro até o final, mudando seu desfecho drasticamente, para pior, claro, chegando a eliminar situações chaves à narrativa. Sem alma e com caráter episódico o filme é uma perda de tempo do começo ao fim. Poderia ser considerado mal adaptado ou puritano demais, mas não, é ruim mesmo. Nada parece acontecer em tela e os personagens terminam como começaram, apesar das experiências "dramáticas" que passam.

Barbara Alberti assina o roteiro ao lado de Cristiana Farina. A primeira, não parece ser a mesma pessoa responsável pelo pornográfico "Monella - Travessa" do "perverso" diretor Tinto Brass ("Calígula"). É tão politicamente correto que chega a ser onstrangedor, assim como os diálogos, as situações, as atuações e assim por diante.

Pretendia assistir ao filme nos cinemas (este estreou há duas semanas), mas curiosamente "Cem Escovadas..." está disponível para locação, também. É um caso raro de um filme ser lançado simultaneamente nas locadoras e no cinema. Não havia entendido a razão pela qual em apenas duas semanas este fora reduzido a uma sala em toda São Paulo (e nesta, em apenas UM horário). Pois bem, agora que o vi, entendo. E para o filme em questão, essa sala já é muito.

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E só para dizer que não falo só de filmes ruins neste post, fica as dicas para hoje:

| FILMES DO DIA - dicas Tv à cabo |

Para começar, às 15:00, no MaxPrime 2 (do Oeste), será exibido "O Agente da Estação". Trata-se de um filme independente americano sublime sobre amizades. O protagonista é um anão e a história gira em torno dele. Solidão, preconceito, rejeição e amizade são temas que o filme discute, mas sem levantar bandeira a nenhum dos aspectos, o que é ainda melhor. O espectador poderá conferir que este grande filme com porte discreto, possui bons elementos nas doses certas. Vale muito à pena.

Às 22:15, no Cinemax 2 (do Oeste), é a vez do documentário indiano "Nascido em Bordéis", sobre os filhos de prostitutas que sofrem mais preconceito que as próprias mães. Fez sucesso por onde passou acumulando prêmios diversos, dentre eles Oscar de Melhor Documentário (2005).

Em época de alta do cinema oriental, é tempo de (re)ver cineastas como Kar Wai Wong. No Cinemax, às 23:30 "2046 - Os Segredos do Amor" será revelado. Kar Wai atualmente está em alta, como diversos diretores orientais e seus cinemas autorais, o que é muito bom a nós, cinéfilos. O diretor irá apresentar seu "My Blueberry Nigths" em Cannes, agora em maio. Portanto, enquanto seu novo filme não chega, saciamo-nos com "2046".

E para fechar a noite com chave de ouro, no Telecine Cult, às 01:30 haverá a exibição de "Querida Wendy", do dinamarquês Thomas Vintenberg (de "Festa de Famíla"). O roteiro é assinado por seu amigo de dogma, Lars Von Trier. O filme fala sobre armas e o poder que elas possuem, ou melhor, que possuem sob você. Ainda assim é mais do que isso. É um grande filme que dialoga com um tempo muito atual, dentro de um panorama bélico latente. Vale à pena!

Traffic

Aluguei hoje, "Miami Vice", com a intenção de rever o filme para dar uma segunda impressão mais crítica a obra. Lembro que na ocasião, ao assistir o filme no cinema havia gostado bastante do resultado. Pudera, já que sou grande admirador da cinematografia de Michael Mann. Considero que seus filmes possuem fluidez narrativa invejável, e ainda por cima, por trás de (boas) histórias de ação há conteúdo político, social e estético.

O longa, estrelado por
Colin Farrell e Jamie Foxx, fez sucesso entre os críticos e fora apontado pelos mesmos como o grande injustiçado nas premiações do ano passado. Protestos à parte, o filme realmente é bom. Tem todos os ingredientes que Michael Mann utiliza para tanger sua arte. Belíssima fotografia, lindos planos, boas atuações, roteiro inteligente e personagens tridimensionais. O problema, para mim, é que ainda assim, falta algo. Talvez a pegada do diretor. Aquela na qual estamos acostumados quando vemos um filme de Mann. Como em "Colateral" (o considero um dos grandes filmes de 2005), "Fogo Contra Fogo", "O Informante", "Ali" e assim por diante. A história é interessante, as paisagens estonteantes, trilha empolgante, mulheres lindas, mas como no geral parece irregular, apesar de considerará-la ótima fita em razão de suas diversas qualidades técnicas.
As cenas nos barcos e nos aviões, são de tirar o fôlego, e as imagens captadas de Cuba, Colômbia e Brasil são belas.

O que impressiona é o estilo de
Mann, sempre latente em todos seus trabalhos. Com a câmera na mão há uma dinâmica imposta em tela incrível, e com isso o jogo torna-se mais interessante, e atraente. A atração é derivada de uma fotografia realista e sensual em razão da granulação concebida pelas câmeras digitais. Impressionante como Mann utiliza a seu favor este atributo. As cenas soam mais reais e imediatas. Interessante como um aparato torna-se linguagem para o diretor.

Também é sempre um ponto chave a trilha em seus filmes. Optando por músicas de bandas famosas, o diretor corre o risco de tornar seu filme muito videoclíptico (arrasando no
Guimarães Rosa), mas não o faz, tem a noção exata de onde posicioná-las, e temos a sensação que elas foram compostas, justamente, para o longa. E outra coisa, a banda Audioslave está virando figurinha carimbada em seus filmes. Se em "Colateral", na cena em que o chacal cruza a tela com seus olhos reluzentes, toca-se Shadow Of Sun, em um momento belo e introspectivo, aqui, Mann bota pra tocar Shape Of Things To Come e Wide Awake a exaustão, livremente editadas e "alongadas", claro.

Outro fator à parte é a chinesa Gong Li. Nova musa oriental, a atriz encara bem seu papel e encanta com sua interpretação sensual, formando um par interessante ao lado de Farrell, de brinde.


Enfim, o que incomodou-me em "
Miami Vice" é seu vaivém muito não linear (no sentido de equilíbrio) prejudicando o resultado como um todo, já que o mais cativante, para mim, foram, na verdade, diversas cenas localizadas, e não o filme em seu geral, como sempre ocorria em seus trabalhos anteriores (uma junção das duas coisas). Não que o longa seja ruim, longe disso, mas não acho grande como "Colateral", para citar o mais recente. Porém, um filme mediano de Michael Mann, hoje, ainda assim é um ótimo cinema.

quarta-feira, 9 de maio de 2007

Barbaridade!

É... O São Paulo não é mais o mesmo dos anos anteriores. Depois da derrota por quatro gols a favor do time de ABC, o time paulista não conseguiu passar pelo Grêmio nas Oitavas de Final da Libertadores. No primeiro jogo, no Morumbi, já demonstrava-se superioridade dos azuis, mas o tricolor paulista conseguiu um golzinho no segundo tempo que deu mais "tranquilidade" a torcida. Tranquilidade esta, falsa, resultando na vitória com sobras do outro tricolor, o gaúcho, hoje, no Olimpico, lotado e belo.

O São Paulo começou errado e houve apatia no meio de campo, principalmente nas armações. Sorte do Grêmio, que além de ter jogado muito melhor fez o primeiro gol em menos de 20 minutos. Depois disso foi só pancada pra cá, chute pra lá num um jogo travado. Foi apenas questão de tempo para o Grêmio fazer o segundo, aniquilando de vez todas as chances são paulinas, e comprovando que a crise começara bem antes da Libertadores. Muricy Ramalho pareceu-me apático nos dois jogos, não sei a razão, mas não estava o "general" de sempre à beira do gramado.

E enquanto isso, Galvão Bueno não cansa de ser impertinente. Certa hora do jogo, uma bola disputada entre Miranda e Tcheco, fez do segundo sofrer uma lesão no tornozelo. Galvão, mestre das adivinhações, disse em primeiro momento "Olha só! Pegaram o Tcheco e ele sentiu a cabeça." Nesse momento o replay denunciou seu erro, com Tcheco levando as mãos ao tornozelo, e Galvão, para não perder a "compostura" logo completou: "pegou na cabeça, mas ele sentiu a perna"... Que beleza...


Enfim, merecida vitória do tricolor gaúcho que pega agora o time uruguaio Defensor pelas Quartas, que eliminou o Flamengo, mesmo perdendo por dois à zero em pleno Maracanã. Disseram que houve má fé do árbitro argentino. Até mesmo o comentarista global José Roberto Wright insinuou certa prática anti-desportiva (leia-se: roubalheira) praticada pelo senhor juiz. Fazem o quê, se o Flamengo não tivesse perdido o jogo de ida por três gols, o árbitro não faria a menor diferença aqui. Quem pode mais, chora menos, no futebol. E um parabéns à torcida flamenguista que aplaudiu o time mesmo eliminado do torneio sul-americano, ao final do jogo.

E enquanto o meu Corinthians torna-se freguês dos argentinos, o São Paulo vem se tornando vítima seqüencial dos gaúchos... Que beleza...

Segura o Grêmio! E segura o Boca! Se tudo der "certo" teremos uma das semi finais mais disputadas em anos, pela Libertadores!

Coréia, Água, Eu, Você e Todos Nós

Primeiramente, um breve comentário em relação ao filme sul coreano ao qual acabei de assistir. Que filme! "Zona de Risco" é um exercício interessantíssimo sobre a Coréia atual, dividida entre Sul e Norte, Capitalista e Comunista. Ao iniciar parecia ser este um filme sobre espionagem e jogo de intrigas. Realmente o é, mas não é este o foco do longa, que em determinado momento assume uma postura muito mais madura e se transforma em grande cinema. A narrativa extremamente eficaz e inteligente contribui para a razão de tal, e a conclusão é a de que Park Chan-Wook realmente é grande. Sabe muito bem como lidar com a imagem e como, através dela, trabalhar seus roteiros e histórias inteligentes. Vou comentar a respeito do filme mais adiante. Isso fora apenas um "desabafo", mesmo. Só me deixou com mais água na boca para conferir seu novo trabalho. Estou louco para assistir "Sympathy For Lady Vengeance"!

Agora ao assunto principal.

| FILMES DO DIA - dicas Tv à cabo |

Vou ser objetivo. Não perca, se você ainda não viu, "Eu, Você e Todos Nós", que será exibido pelo Cinemax, às 18:00. No filme tudo é perfeito. Trata-se de uma linda poesia visual com narrativa lúdica e sensível, assinada por uma diretora promissora, a artista plástica, Miranda July. Ganhou quatro prêmios em Cannes, um em Sundance e mais onze pelo mundo afora. Justiça fora feita, o filme, realmente, é tudo isso. Várias são as cenas inesquecíveis, dentre elas algumas protagonizadas pelos atores mirins da foto. O mais novo é impagável. Você se encantará também, aposto. Assista de qualquer jeito, pois vale muito à pena!

Uma segunda possível opção para o dia, e para quem não quer assistir Grêmio X São Paulo (eu irei, já que sou fanático por futebol, também), é "Água Negra". A HBOPlus está exibindo em sua grade este mês "Diários de Motocicleta", e agora é a vez de outro filme de Walter Salles cair na rede à cabo. A HBO estréia o filme de terror (ou suspense psicológico, como queiram) de um dos nossos representantes internacionais do cinema. Salles refilmou o longa homônimo japonês com direção de Hideo Nakata (da série oriental "Ringu" -O Chamado). O diretor brasileiro não só acertou a mão, como -para mim- melhorou o original. O suspense é muito bem construído e o medo é psicológico. Fica a dúvida sobre o que é real. Salles vai além do fórmula convencional de terror que modelam filmes como "Jogos Mortais 2, 3" ou "O Albergue", e mostra pouco (ou quase nada) do que os americanos gostam. Tudo é muito mais induzido e, portanto, mais interessante. Logicamente os ianques torceram o nariz para a fita, mas talvez o fato seja mais um elogio ao filme. Você pode conferir neste mês o cinema de Walter Salles em dois -grandes- momentos mais recentes de sua carreira, e provar seu talento através da versatilidade. Claro, isso na HBO às 21:00.

Jogo Ferpeito

Um post rápido sobre os filmes que assisti, agora a pouco. No post anterior, havia destacado alguns filmes que iriam ser exibidos hoje (ontem, já passou da meia noite, no relógio do Blogger), e que mereciam ser vistos (ao meu ver). Porém, daqueles que nomeei não tinha visto três deles, o espanhol "Crime Ferpeito", o brasileiro "Jogo Subterrâneo" e o sul coreano "Zona de Risco". Pois bem, dentre tantas (ótimas) opções fiz a óbvia escolha de assistir os ainda inéditos a mim. Mas vou lhes dizer; a vontade de rever "Edukators", "Go! Vamos Nessa!", "A Noiva Síria" ou "Osama" era grande, mas não, depois o faço.

Portanto um brevíssimo comentário em relação aos filmes assistidos.

Achei o começo de "Crime Ferpeito" promissor, o tipo de cinema que dialoga com o espectador, onde o protagonista é inteligente e hábil, fazendo-nos interessar pela figura e por suas ações. Até a meia hora inicial, o filme é muito bom realmente. Me pareceu o cinema de Jorge Furtado. Dinâmico, inteligente, cômico e cheio de problemas a se resolver. E, lógico, com muitas incurssões extra-diegéticas amparando o espectador. Possui também linguagem visual muito bem elaborada que dialoga com a ação. Uma ótima maneira de se construir um roteiro (as imagens falam melhor que os personagens, muitas vezes). Porém, em uma virada na história, o tal crime "ferpeito" entra em cena. Entram também o humor negro e os problemas, e com isso, o filme vai perdendo um pouco o fôlego em razão da repetição. Mas no final das contas é uma fita espanhola muito bem executada (e dirigida). Vale bastante à pena, mas longe de ser imperdível. Só por curiosidade, a atriz que faz o par principal (Mónica Servera) é a mesma do filme "20 Centímetros" que estreiará, em breve, em circuito nacional. E como ela é feia, não?

Também assisti ao "Jogo Subterrâneo" de Roberto Gervitz. O filme conta a história de Martín, um sujeito que gosta de fazer um jogo pelos metrôs da cidade de São Paulo. Fica fitando certa mulher até ser correspondido, nisso tenta adivinhar seu trajeto pelas linhas metroviárias, se esta chegar ao destino que imaginou, esta é a mulher de sua vida. É o destino, pensa. O diretor filma bem as cenas dentro do metrô e o longa começa com classe. O resultado vai enfraquecendo devido à história mal elaborada, e com os diálogos e situações um pouco mais forçadas que o necessário. Incomoda também os diálogos ora soarem muito rubricados (principalmente nas conversas entre Felipe Camargo e Júlia Lemmertz). Quem consegue uma maior espontaneidade é a menina Thavyne Ferrari e Felipe Camargo quando está só em cena. Há ainda a participação especial, providencial e chave para narrativa, de Maitê Proença. As belas Daniela Escobar e Maria Luisa Mendonça também compõem o elenco (as duas bem). A (ótima) fotografia é de Lauro Escorel, responsável pela fotografia de "Batismo de Sangue", também. Não sei porque, mas o filme lembrou-me um pouco o "Fora de Rumo", aquela fita recente com Jennifer Aniston, Clive Owen e Vicent Cassel, talvez por sua aura e história. Uma pena, já que a história era promissora, mas o resultado como um todo é irregular.

Agora fecho o post de maneira corrida, para dar tempo a assistir "Zona de Risco" de Park Chan-Wook. Acho que vai ser um filmão! Amanhã (hoje) comento.

terça-feira, 8 de maio de 2007

| HOJE | Filmes em cena

Hoje, para quem possui Tv à cabo, e não pretende ficar assistindo "Casseta & Planeta", "Superpop" e "A Diarista", têm muitas opções cinematográficas nos canais de cinema da tv fechada.

Para começar às 17:15, na HBO, "Depois de Horas" de Martin Scorsese, no (bom) filme de 1985 do atual ganhador do Oscar.

Às 19:00, no MaxPrime (do Oeste, ou Max Prime 2), é a vez da comédia espanhola "Crime Ferpeito" que fez sucesso e dizem ser bom. Ainda não o assisti, e pretendo.

Para quem preferir o cinema oriental, quase no mesmo horário no Cinemax tem "Azumi", um longa japonês sobre samurais e aprendizado, e conta com uma garota como protagonista. Lógico, isso às 19:15.

Ou então, às 19:40, no Telecine Cult, "Edukators". Uma excelente opção para quem ainda não viu este grande filme alemão que trabalha com a culpa e a rebeldia. Em tempos de eleição francesa, e (de) mais uma vitória direitista no país, a Europa discute suas posições políticas.

Às 21:30, no MaxPrime tem "Go! - Vamos Nessa!" Novamente para quem ainda não assistiu vale muito à pena conferir este divertidíssimo filme independente americano com Katie (Cruise) Holmes e Sarah Polley no elenco. É dirigido por Doug Liman, que depois disso foi dirigir "A Identidade Bourne" e "Sr. e Sra. Smith".

Já às 22:00, no Cinemax, há duas opções. Uma no Cinemax "1" (do Leste), é o filme brasileiro "Jogo Subterrâneo", com Felipe Camargo e Maria Luisa Mendonça no elenco. O filme é do americano-brasileiro, Roberto Gervitz, e o roteiro é assinado pelo chileno Jorge Durán, o mesmo diretor do recente "Proibido Proibir".
A segunda opção, de mesmo horário, reside no Cinemax "2" (do Oeste"), em que passa o filme israelense "A Noiva Síria", de 2004. Um ótimo filme, pude assistí-lo na Mostra de Cinema de São Paulo, em 2005. Estréia hoje no canal pago. Vale à pena. História de uma noiva que precisa atravessar fronteiras para se casar. Físicas e culturais.

Também às 22:00, agora no Telecine Cult, "Osama" é a opção para quem é assinante dos canais Globosat. Filme afegão sublime que conta a história de uma menina, que com a chegada do regime Talibã ao país do Oriente Médio, é obrigada a se passar por um menino para poder ir e vir (leia-se: não gosto de contar a história). Festejado, o longa colecionou diversos prêmios internacionais, na ocasião, dentre eles, Globo de Ouro de Melhor Estrangeiro, Cannes, Câmera de Ouro, Festivais de Londres, Miami, Ucrânia e por aí vai. O filme é a estréia do diretor Siddiq Barmak, que, atualmente, está trabalhando em seu segundo longa, que parece promissor, onde narra a vida de dois soldados americanos em terra estrangeira (Afeganistão). Voltando ao filme que passa hoje, veja como muitas vezes falar menos, é mais. Um belo trabalho.

E por fim, o destaque, para mim, fica a cargo do coreano "Zona de Risco". O filme é um dos primeiros dirigidos por Park Chan-Wook. De nome talvez este não lhe venha à mente, mas "Oldboy" é provável que você conheça. Em tempos de estréia (25 de Maio) da terceira parte da trilogia, "Sympathy For Lady Vengeance" ("Sympathy For Mr. Vengeance" e "Oldboy" foram os antecessores) é um bom momento para revisitar o grande cinema desse diretor oriental tão talentoso. Claro, o filme passa às 01:00 da madrugada no MaxPrime.

Portanto, há excelentes opções para conferir, hoje, ótimos filmes!

segunda-feira, 7 de maio de 2007

O Mundo de Sofia

Ainda não assisti ao filme que abriu a temporada de Blockbusters, e que tomou de assalto –quase- todas as salas de cinema de São Paulo (e do Brasil). Pretendo assistir “Homem Aranha 3” depois, não tenho tanta pressa. Portanto irei comentar outros filmes que possuem pouco tempo de vida útil nas telonas, mas que ainda podem ser conferidos. Como o caso de “Maria Antonieta”, que ainda está em cartaz em três salas da cidade.

Feminices

Ela nasceu em berço de ouro. No ciclo hereditário, tudo pode através do poder hierárquico que seu nome carrega. Mas ao mesmo tempo carrega um fardo enorme nas costas, já que assumiu uma posição perigosa. Muitos a consideram jovem demais para assumir os riscos em administrar o nome da família tão precocemente. Para ela nem tanto, parece ser uma outsider.


Ela, Sofia, carrega este fardo, que é fazer parte do clã Coppola, sendo filha de Francis Ford. E como se não bastasse, optou pela mesma carreira do pai, e tornou-se diretora de filmes. E é em seu terceiro longa que parece assumir tais responsabilidades com ironia e certa rebeldia. Uma rebeldia que paira uma adolescente que se tornou rainha ainda muito imatura. Com “Maria Antonieta”, Sofia parece fazer seu filme mais autobiográfico. O faz com maturidade artística, é verdade, embora seja como um todo irregular. Em diversos momentos as pretensões artísticas soam além da medida, e Sofia parece (re)afirmar a todo o momento um feminismo aos moldes de “Saia Justa”.


Veja bem, não estou criticando o programa da GNT, mas sim algumas de suas apresentadoras que já passaram por lá, e que não acrescentaram muito a discussão, pelo contrário, apenas a polemizavam, em certas ocasiões, em um contexto que fugia da proposta do programa. E o que me incomodou um bocado no filme de Sofia fora a tal pretensão da diretora. Primeiramente, a cena com o tênis AllStar jogado no canto da tela, junto com os sapatos da rainha, parece metáfora muito frágil se compararmos com o restante do desenvolvimento narrativo. Em se tratando de Sofia, a incurssão pop contemporânea não faz jus a sua delicadeza que ponderou seus trabalhos anteriores. E mais ainda, pode-se traçar uma metáfora além da obviedade sugestiva em um ambiente atemporal; há a possibilidade que o elemento contemporâneo se torne mais autobiográfico que Sofia possa ter planejado, o que nos faz voltar à discussão do fardo que esta carrega.


O filme também me pareceu muito longo. O que não considero um fator negativo, mas nesse caso as repetições de cenas e idéias são cansativas e não acrescentam muito à narrativa. Vide “Encontros e Desencontros”, por exemplo, onde a narrativa introspectiva e lenta não atrapalha de maneira alguma o resultado final, ou melhor, é o que pontua o filme ao ser bem trabalhado esses tempos e silêncios. E falando em trabalhos anteriores, até mesmo Kirsten Dunst diz preferir “As Virgens Suicidas” (primeiro filme de Sofia, e que também contava com Kirsten como protagonista), apesar de defender o atual trabalho da diretora (e dela).


Cannes e a repercussão em torno do filme foram um grande favor à Sofia e seu “Maria Antonieta”. Este quase foi lançado diretamente em dvd aqui no Brasil graças a má reputação que vinha recebendo mundo afora, porém o público conseguiu depois de meses o lançamento nacional do novo Sofia. Foi vaiado em Cannes, chegou com muitas ressalvas e a expectativa foi invertida, convertendo as críticas em propaganda. Fez razoável sucesso por aqui, já que o público pode conferir que o filme não é ruim, pelo contrário, é interessante, corajoso e, conseqüentemente, bom. Mas muitas vezes apenas ser bom não é tão interessante, ainda mais tendo em vista a pretensão que o envolve.


Porém em “Maria Antonieta” há também muito talento artístico, como o figurino, a direção de arte e as atuações, mas é uma pena que um filme que poderia ter dado tão certo, se fragilize por uma rebeldia mal trabalhada. Fui aos cinemas exatamente para conferir os porquês das críticas negativas que a cercavam, e ainda assim estava otimista com minhas expectativas, já que admiro sua (curta) filmografia. A conclusão que tirei é a de que trata-se de um bom filme, mas longe de ser uma grande Sofia.