terça-feira, 17 de julho de 2007

olha o que aconteceu...

O Brasil me (nos) surpreendeu e conquistou a Copa América. Não só o título, mas o jogo em si já fora uma surpresa em cima de uma Argentina apática que vem se tornando os nossos fregueses de luxo. A partida foi unilateral, e por assim ser, muito aquém de uma grande final. Oras, estariam jogando Brasil e Argentina! Haja coração...

Não havia postado nada pós-jogo do Brasil, final da Copa América de Futebol, não por falta de vontade, mas sim de tempo. Se você ler dois posts atrás, verá que minha visão para com o jogo era pessimista. Por diversas razões, mas a principal era o futebol apresentado pelas duas seleções. Enquanto o Brasil apresentou um futebolzinho desagradável por toda a primeira fase, e enfretou duas equipes, nas fases finais -quartas e semi-, de talento duvidoso, a Argentina passeou pela Venezuela promovendo os melhores jogos disputados da competição. Um futebol alegre, preciso, e principalmente, muito talentoso.

E na grande final, tendo em vista tais históricos era fácil de se imaginar o que ocorreria. Pois bem, a Argentina vestiu a camisa brasileira e concluiu sua participação em uma Copa América injusta pelo contexto, mas precisa pela decisão. Mas os argentinos não se travestiram de brasileiros, mas apenas tomaram como exemplo a cor mais forte do uniforme rival. Um amarelo gritante!

O futebol de resultados fora o vitorioso. O futebol, do até então, retruncado foi o vencedor. Por isso Dunga teve razão? Ao meu ver, ainda não. O treinador apostou em um futebol típico de seleções de níveis muito aquém da "melhor do mundo". O discurso vinha de encontro com tal filosofia, e até quando conquistou a taça, continuou pregando seus pensamentos. Como "nós sempre criamos seis ou sete alternativas de gol todo jogo da competição", "o brasil passou todos seus adversários" e por aí vai. Mas me pergunto; isso não era o mínimo para uma seleção brasileira!? Para o Dunga não, já que parece o treinador de um São Caetano em uma Libertadores da América.

O fato da Argentina não ter jogado absolutamente nada contra o Brasil, não tira os méritos da seleção canarinha, muito pelo contrário, já que a razão do primeiro fora o futebol do segundo. O Brasil não apenas fez uma boa apresentação, mas a melhor da Copa América, e não lembrou em nada com aquele time defensivo que fomos acostumados a ver.

A seleção brasileira está de parabéns; pelo futebol demonstrado na final. Ponto. O que me parece o mínimo também, em se tratando de final e do maior clássico de futebol do mundo. A questão é: nada tira os méritos da seleção, mas também não podemos esquecer suas falhas e seu futebol horroroso até chegar a final. Um título pode representar muita coisa, mas não invalida outras, como a precoupação em nosso maior talento futebolístico. O Brasil jogou muito MAL a Copa América, muito BEM a FINAL; e foi campeão. Mas podia ter sido eliminada em qualquer fase anterior. Qualquer França, Nigéria ou Camarões que o Brasil enfrentasse pelas quartas de final, seria um grande empecilho para AQUELE futebol, imagino.

Havia dito em post anterior, que seria injusto o Brasil ganhar de uma seleção de um futebol tão sublime, porém quem calou-me a boca foram os argentinos que não jogaram nem um décimo do que poderiam. Entraram com o salto alto e a emoção do clássico fora substituída por uma seleção displicente e pálida. O Brasil, sim, fez uma partida exemplar em se tratando de uma final, jogando bem e não deixando jogar. Em um campeonato de pontos corridos, os argentinos seriam os prováveis campeões (com mérito), mas em decisões diretas o que prevalece é o momento, o dia. E o Brasil foi frio, calculista, imprescindível e preciso. O Brasil virou a Argentina e a Argentina o Brasil da Copa América.

E também deixo os parabéns para os melhores jogadores da final: Josué e Mineiro; a brilhante dupla de volantes que já fez história por um São Paulo recente. Tevez, Messi, Riquelme, Zanetti, Verón, Cambiasso, Mascherano nada fizeram, ou melhor, nada conseguiram fazer.

A Copa do Mundo é nossa

O que mais irrita em transmissões televisivas, principalmente pela Rede Globo, é o caráter patriótico excessivamente hipócrita. É muito claro que a Globo e a CBF possuem relações intrínsecas. Ou você acha que a Globo tem preferência dos direitos de transmissão das competições nacionais à toa? Ou então, você já reparou que ninguém (da Globo) critica a Confederação Brasileira de Futebol? E mais ainda, junte tudo isso aos elogios excessivos de Galvão Bueno à seleção e à comissão brasileira (Dunga, Jorginho, por baixo dos panos, Ricardo Teixeira) e a campanha para a Copa do Mundo de 2014, aqui no Brasil. Galvão ficou mais de dois minutos comentando -e promovendo- a candidatura do Brasil para com a Copa do Mundo, quando encerrada a partida. Estavam presentes para a entrega de medalhas e taça, Ricardo Teixeira e Joseph Blatter. E os jogadores e a comissão com as camisetas com o logo da Copa do Mundo de 2014. Mais ainda, Dunga quando questionado, na entrevista coletiva após o jogo, sobre a relação da comissão técnica e dos jogadores para com a campanha, quem tomou a iniciativa, o técnico respondeu rispidamente e extremamente irritado. Para bom entendedor, meia palavra basta.

Outro aspecto: Dunga ganhou o título e dedicou a todas as crianças que sofrem pelo mundo. Pela Palestina, Brasil, ex-Iugoslávia, Iraque... Um ótimo exemplo, mas duvido de suas intenções. Será que dedicou mesmo o título a elas, ou apenas utilizou tais crianças como forma de calar a boca dos repórteres? Já que sempre afirmava, "as crianças tem alma pura, não tem maldade" em tom de ameaça e olhar muito duvidoso. O exemplar (que também é discutível; isso deveria ser o comum) tornou o vulgar. Uma pena, mas é claro que Dunga ainda é muito imaturo como técnico e líder da "maior seleção de futebol", hoje.

Criticar sempre, menosprezar jamais...

sexta-feira, 13 de julho de 2007

recomendação

Sem tempo para mais nada, em apenas uma linha, ou duas: assistam a "Cão Sem Dono". Depois nos falamos.

as coisas simples da vida

Sabe aquele filme que ao assistir cada vez mais vezes você descobre uma coisa diferente nele, mesmo sendo este, classificado por você, simplesmente perfeito? É o caso de "O Fabuloso Destino de Amèlie Poulain", para mim que revi ontem e tive vontade de escrever algumas linhas sobre tal. Sei que a maioria já viu o filme, e que coleciona fãs ao redor do mundo, portanto desconsidere esse devaneio barato.

É aquele tipo de filme que preenche os seus 120 minutos de projeção com conteúdo, inteligência e plasticidade, ao máximo que as palavras sugerem. O mais óbvio a se destacar é sua brilhante fotografia, concebida por Bruno Delbonnel trabalhado em cima de um tom de cores predominantemente entre o vermelho e verde. Sua linguagem imagética é um espetáculo visual à parte, e todas suas cenas parecem ser muito bem orquestradas e coreografadas por um resultado tão sublime em tela. Não à toa virou cult e estampa diversas camisetas ao redor do mundo com a marca Amèlie. Fora o corte de cabelo e assim por diante. Mas o modismo, nesse caso, fica a segundo plano, tendo em vista o valor cinematográfico tão rico contido em fita.

O longa te conquista logo de cara com a brilhante narração em off contando a vida dos personagens que passeiam em tela, numa valsa lírica e poética dentro da narrativa. E é impossível não identicar com algum deles, seja nas situações mais dramáticas ou na mais simples, e por assim ser, sensíveis. Como ao apresentar cada personagem contando o que este gosta ou desgosta. "Amèlie Poulain" parece conduzir-nos a uma dança suave entre a beleza e o prazer. Uma fábula francesa apaixonante, digna de clássico recente.

"Amèlie Poulain" remete-me ao grande sabor de viver os pequenos momentos da vida. O que vem de encontro com uma cena recente que vem penetrando minha mente durante essa semana. A cena é do filme "Perfume de Mulher"; aquela na qual o personagem de Al Pacino puxa Gabrielle Anwar para dançar, ela hesita, e diz que só tem um minuto livre já que aguarda seu namorado, e Al lhe responde "muita gente vive a vida em um minuto". A dança é um show à parte ao som de "Por Una Cabeza", de Carlos Gardel, e o filme atinge seu esplendor.

"Amèlie Poulain" não tem uma cena dessas, mas diversas. O filme é construído por várias idéias geniais, que por si só poderiam resultar em excelentes videoclipes ou curta-metragens, mas que no contexto inserido -roteiro, diálogos, fotografia e personagens- fazem deste um dos mais poéticos filmes produzidos pelo Cinema recente.

A dica fica pra quem ainda não ouviu a trilha sonora do filme, composta por Yann Tiersen. Arrisco-me a dizer que sem esta, o filme não seria tão fabuloso. Além de remeter ao filme, o som é, por si só, delicioso.

E para quem ainda não assistiu os outros filmes de Jean-Pierre Jeunet lançados no Brasil; "Delicatessen" e "Eterno Amor", fica a dica. Um grande autor francês.

ser ou não ser?

No jogo contra o Uruguai, válido pela Copa América, pulei, gritei e xinguei. Por quê? Pois quem estava jogando era o Brasil, oras, e porque jogo contra os uruguaios é sempre marcado pela catimba, raça e suor. E sempre é bom vencer em tais circunstâncias. O Brasil passou para a final. Mesmo jogando feio, a trancos e barrancos no futebol de resultados do retranqueiro Dunga.

Estou feliz? Baseado nas comemorações pós jogo de terça-feira há a suposição de que sim. Mas, pelo contrário, estou muito irritado com esse futebolzinho que a "seleção" vem apresentando. Não importa apenas resultado, para mim. Seleção brasileira é pra se jogar muito bem e bonito. E time tem pra isso de sobra. Não me venha com um discurso inflado do estúpido Galvão Bueno de que os craques não estão lá. Diego, Elano e Andersson no banco é um pecado. Agora vem o Dunga, que mais parece um general da ditadura em entrevistas coletivas, com esse papo demagogo de sofrimento, raça e tudo mais. Não engulo. Quem engole são os imbecis -lambe sacos- da Globo e uma imprensa ligada a tal órgão.


Domingo tem final. Brasil e Argentina. E por falar nos hermanitos, que futebol eles estão jogando, hein! Fazia tempo que não via uma seleção tão acertada, e consciente, como essa Argentina. Que baile! A cada jogo, um espetáculo. Do meio pra frente, só craque! Cambiasso, Mascherano, Verón, Riquelme, Tevez e Messi. E como jogam juntos! Parece um Boca Juniors na melhor fase. Imprescindíveis. O Brasil não tem que jogar muito mais para ganhar o jogo; tem que jogar como nunca para ser campeão. O único time que imagino ganhando dessa seleção, é um Brasil com Ronaldinho, Kaká e Ronaldo, aquele time de uma Copa das Confederações recente que fez 4 à 1 nessa mesma seleção argentina. Mas com esse time do Dunga, só se for nos penaltis ou por contra-ataques.

Vou torcer pelo Brasil, mas isso faz-me doer um pouco a consciência. Como apreciador do bom futebol, é um pecado torcer a favor de uma seleção tão rasa contra um carrossel tão belo. Se o Brasil for campeão, será pior para o futebol em dobro, receio. Primeiro que me parece injusto para com a Argentina e seu talento, e segundo, que se isso ocorrer, Dunga terá razão em seu terrível futebol de resultados.

E isso é tudo que não quero, infelizmente.

simplesmente amor

Tenho a impressão que o filme "Paris, Te Amo" despertou uma paixão imediata sobre minha pessoa. Estava ansioso para conferir o plural relato dos mais de quinze diretores diferentes sobre a cidade da Luz. O receio vinha por parte desse tipo de empreitada cinematográfica. De tempos em tempos, vem um produtor, reúne diversos diretores renomados (e talentosos), na maioria das vezes, escolhe um tema e põe este na roda. O resultado, até onde eu sei, é sempre uma fita inconsistente. Ou melhor, irregular, o que talvez dê no mesmo.

Não o caso de "Paris, Te Amo". É, sim, espantosamente regular; um filme bem amarrado, conciso, linearmente delicioso. O título do post não é apenas uma referência ao tema sugerido por tal, mas também do filme homônimo que passou-me pela cabeça quando as letras dos créditos subiam. "Simplesmente Amor" também são várias histórias que se entrelaçam formando um belo trabalho no qual sou suspeito para comentá-lo, já que sou assumidamente apaixonado.

"Paris, Te Amo" em sua proposta não é de celebrar o amor pela cidade, apenas. É mais que isso, é uma busca por visões multiétnicas sobre uma das capitais mais glamurosas do mundo. O amor pode estar na arte de se fazer cinema, por exemplo. Ou mais ainda, pela vida; a que mais acredito. Walter Salles filma brilhantemente, e faz um dos melhores curtas de todo o conjunto. Seu tema -não irei contar- dialoga com uma questão muito atual que me perseguiu por esses dias. Sua visão bateu com a minha para com uma das causas de certo problema. Não irei falar qual é, mas quando você conferir, saberá o que estou dizendo. Ou melhor, vou contar, mas farei no próximo parágrafo. Portanto pule-o.

A visão de Salles para com os imigrantes ilegais -na Europa- batem de frente com o que enxergo para com as empregadas domésticas em metrópoles pelo Brasil. Recentemente, Sirlei foi espancada por cinco jovens de classe média do Rio. Esta fora agredida em plena manhã ao esperar seu ônibus. Em post recente, disse que a culpa não é somente dos imbecis cariocas, mas de todos nós, que retiram Sirleis de suas casas, de seus convívios familiares, atravessando toda uma cidade apenas para organizar a política interna de nossas residências. Nós fazemos com que tais acordem às quatro/cinco da manhã, peguem ônibus desprotegidas, e sozinhas para baterem cartão em nossos lares. Me parece acontecer o mesmo com a personagem de Catalina Sandino Moreno, no curta de Salles. Tem de largar seu filho para cuidar dos outros. Imigrantes ilegais na Europa são nossas empregadas domésticas. Que tal?

O que mais impressiona é a qualidade nos curtas apresentados. Lembro-me de um ou dois, realmente, fracos, mas de resto, o pior resultado são visões razoavelmente boas, e na totalidade muito interessantes, quando não, excepcionais. Como o caso do casal africano, do homem no bar contando a vida de sua esposa, o que contém Natalie Portman e por aí vai. Se não viu ainda, veja, e espero que curta como curti!

Um outro caso que tem mais a ver com o título do que com o filme citado, é o outro longa que assisti no mesmo Espaço Unibanco, ontem: "A Vida Secreta das Palavras". Aliás, para quem não sabe, cinema às quintas de julho, à quatro (R$4,00!) reais cada no Espaço Unibanco! Imperdível! Ainda mais em época de Cinemas à dezenove, vinte reais. O duro é aguentar a antipatia das atendentes quando você pergunta o preço do ingresso. Parece que estão com raiva de cobrarem tão barato. Mas quem se importa? Com cinema por quatro reais, até o Rubens Ewald Filho podia ser o atendente.

O filme tem um charme próprio de trabalhos independentes que vão te conquistando através do desenvolvimento dos personagens. Particularmente adorei o cenário. Uma torre de petróleo em alto mar. A fita possui uma claustrofobia interessante e o convívio com os tripulantes é inevitável. E foi com essa premissa que me vi conquistado. Os diálogos e situações que o roteiro apresentam são ótimos e vai prendendo sua atenção para com os personagens tristes e interessantes.

Sarah Polley e Tim Robbins estão fabulosos. Há uma química incrível. A tensão sexual e social é iminente e os melhores diálogos provém de tal situação. São duas pessoas amarguradas e sofridas. Depois descobre-se que dividem muitas coisas além da dor psicológica, e por assim ser, há uma inversão de papéis genial na história.

O título é poético e remete bem a situação vivida na fita. Não sabia muito o que esperar de "A Vida Secreta das Palavras", ou melhor, não esperava mesmo muita coisa, até receber uma indicação de um amigo orkutiano. E, realmente, o filme é belíssimo, intenso, e, principalmente, muito triste. Mas também contém amor. E este, se não implícito, está nas ações de cada personagem. Seja na comida, na busca pelo prazer, no oceano, de pais e o amor em sua forma mais óbvia que movem os protagonistas.

Gostei demais dos dois trabalhos. Dois filmaços! Quero revê-los, principalmente por acabar de descobrir que a diretora de "A Vida Secreta das Palavras", Isabel Coixet, dirige um segmento em "Paris, Te Amo". Se chama `Bastille´. Por nome não vou lembrar-me, mesmo, portanto mais uma desculpa para revisitá-los em breve...

quarta-feira, 11 de julho de 2007

invasão de domicílio

Que os blockbusters tomaram de assalto (quase) todas as salas de cinema de São Paulo (e do Brasil), isso não é novidade. Mas ao entrar no site do Cinemark, repare no tópico "TODOS OS FILMES", e veja as opções disponíveis, hoje, para ir ao cinema. Clique na imagem acima, para visualizá-la em tamanho real.

Depois querem vida longa a filmes nacionais e independentes.

ATUALIZAÇÃO: esse fim de semana tem mais uma estréia: "Transformers", de Michael Bay. Nããããããão!

quinta-feira, 5 de julho de 2007

colecionador de ossos

O que pode ser mais paradoxal do que isso?

"SHILOH TEM CHUPETA COM DIAMANTE...
A pequena foi presenteada pelos pais, Angelina Jolie e Brad Pitt com uma chupeta com um diamante incrustado, no valor de US$ 17 mil dólares, o equivalente a R$ 32 mil reais. As informações são da revista Star: (Quarta-feira, 04/07/2007)"
Fonte

São essas atitudes que levam à descrença geral quanto às recentes "benfeitorias" do casal.
E como não duvidar de suas reais intenções?

Na boa, será que eles têm alguma noção do que estão fazendo adotando aquelas crianças?

quarta-feira, 4 de julho de 2007

fraude curricular

Há um tempo atrás escrevi sobre sobre a pesquisa de células-tronco embrionárias no mundo, e no Brasil. Na ocasião o assunto despertou-me interesse devido a um debate proporcionado pelo canal Futura, em que um dos presentes, era o músico Marcelo Yuka. O post é esse AQUI.

Se não leu ainda, leia para tentar entender o que pretendi discutir em tal. Pois bem, hoje abro o jornal O Estado de São Paulo, e vejo tal manchete "Bióloga fraudou dados do currículo".

Ou seja, a bióloga Lilian Piñero Eça (que não estava presente no debate transmitido pelo canal Futura, esclarecendo. Citei apenas pelo assunto envolvido), foi quem fraudou seu currículo, dizendo ser pós-doutorada da Unifesp, com bolsa da Fundação de Amaro (Fapesp). Porém, depois de apurado pelo Estadão, as duas instituições negaram matrícula de Lilian. Mais ainda, na reportagem, diz-se que após tentativa de contato com a bióloga, a mesma modificou, à pressas, seu currículo, evidenciando a fraude.

Por que entro nesse assunto? Pela simples razão de Lilian ser contra a pesquisa de células-tronco embrionárias. É a favor de pesquisa no âmbito de células-tronco adultas (que vai de encontro com a outra pesquisadora da UNESP, citada no post anterior e presente no debate do canal Fututa). As duas são radicalmente contrárias ao mesmo tipo pesquisa, e utilizam do mesmo argumento para fazer concessão a tais. Lilian, em entrevista concedida ao Enfoque USC, disse o seguinte a respeito das pesquisas de células-tronco embrionárias:

"
as células tronco embrionárias até o momento estão causando teratomas (tumores embrionários), rejeição e apresentam problemas com a ética (...) Existe o interesse de alguns pesquisadores em divulgar aos pacientes e familiares a "falsa esperança" da cura através das células tronco embrionárias, pois através do sentimento destas pessoas suscetíveis se consegue a `fama e a fortuna´."

Além de tudo, a bióloga que segundo o Estado de SP "inspirou o ex-procurador-geral da República Claudio Fonteles a entrar com uma ação de inconstitucionalidade (Adin) contra as pesquisas de células-tronco embrionárias" utiliza da ética para se julgar contra as pesquisas, mas não faz o mesmo com o próprio currículo.

Interessante ponto de vista.


Só reafirma minha posição na qual escrevi outrora sobre o assunto.

terça-feira, 3 de julho de 2007

copa américa

E não é que deu a lógica mais uma vez no futebol? Argentina e Paraguai ganharam seus respectivos jogos, ontem, e se classificaram para as fases finais da Copa América. Não só isso, exibiram grande, se não o melhor, futebol do torneio, até então.

O mais curioso, para mim, é o interesse que venho tendo pela Copa América. Comecei acompanhando seus jogos com motivação nula, na qual julguei merecedora de uma competição quase falida; peso morto em um prisma mundial. E não é que quebrei a cara e estou vidrado com a competição? Garra, bons jogos e emoções estão sendo a marca do campeonato como um todo.

Falando em tais, é o que não não faltou no jogo entre Argentina e Colômbia. O encontro das duas seleções é sempre marcado pela costumeira rivalidade, e pela história do confronto recente. Sempre vem a mente aquele cinco à zero para a Colômbia em plena Argentina, em 1993. O jogo, de ontem, foi um dos melhores que assisti até então. Os dois times interessados na vitória fizeram a bola correr, apesar de um jogo bem garrido, e por assim ser, bem pegado em sua marcação. O que mais me assusta é a sobriedade argentina para com seu futebol. Saiu perdendo em seus dois jogos, mas com calma, consciência e inteligência, não só virou o placar como mandou e desmandou no jogo. Uma calma que remete-me a um Boca Juniors, que nós brasileiros, já estamos bem acostumados a lidar. E fazia tempo que não via uma seleção com tanta cara de clube como está a argentina de hoje. Fortíssima e mais candidata ao título que nunca.

Tomou um susto ao levar o segundo gol da Colômbia, aos 29 minutos do segundo tempo, mas com tranqüilidade fez mais um e garantiu a vitória por 4 à 2 frente aos colombianos. Na próxima rodada enfrentam os também classificados paraguaios, podendo até poupar um ou outro jogador, para voltar com força máxima nas fases finais. E, se continuar assim, o bicho vai pegar. Um time que tem a possibilidade de troca de Verón por Lucho González, e Messi por Tévez, prova que além de elenco, possui bom entrosamento.

*E sim, Riquelme está em sua melhor forma, o que preocupa ainda mais nós brasileiros, vítimas de seu futebol.

paz sem voz, não é paz, é medo

Vou entrar em um assunto já muito debatido em nosso país. Mas vou -tentar- fazê-lo por outro prisma. Cinco jovens de classe média espancaram uma doméstica em pleno dia em um Rio de Janeiro dividido. Comecemos pelo óbvio; o saldo da tragédia. A imprensa trata o assunto com ar de revolta. Mas de uma revolta que, ao meu ver, é falsificada por uma visão elitista do ocorrido. Se por um lado é claramente deplorável o comportamento dos imbecis, tais órgãos ainda pontuam o assunto destacando sempre "um grupo de jovens" que atacou a moça. E é claro que a palavra delinqüente, marginal só não é posta em prática pela razão social estabelecida pelos tais "jovens cariocas".

Ou então imaginemos o inverso da situação atual. Se uma menina de classe média, desprotegida, esperando seu ônibus para a faculdade fosse abordada por cinco jovens, da periferia, e tivesse sido espancada por tais. Não é muito difícil de imaginar o que seria repercutido através do crime. Primeiro que a nomenclatura para com os agressores não seria, de maneira alguma, um grupo de jovens -mesmo que o fossem-. E mais ainda, imaginem então o discurso dos pais da vítima! Oras! Um pai de família de classe média vendo sua filha, bela, loira, penteada, bem alimentada, ser agredida por cinco "animais"? Tenho certeza que esse mesmo pai não diria "Não se pode prender tais garotos. São apenas crianças.". Haja visto o que houve com os jovens que assassinaram o garoto Hélio dos Santos (arrastado até a morte...).

Mas no que quero, verdadeiramente, entrar em discussão é algo que vem me incomodando em toda essa situação (não só localizada que fora a agressão dos imbecis à doméstica), que é a perda de noção democrática cada vez mais em larga escala. A impunidade é óbvia em todo o país, e o assunto é um dos mais criticados e discutidos por aqui. Mas isso já se diluiu em todas as camadas propostas.

Aconteceu algo comigo esses dias que posso dividir aqui. Fui abordado por duas moças em frente a Oca que tentavam vender uma falsa promoção de certas revistas. Ou melhor, que fique claro, das revistas distribuídas pela Editora Peixes, através do cartão VISA e VISA Eléctron. Caí, burramente, de gaiato no papo das moças, apesar de desconfiar muito do que elas diziam. Desconfiei tanto que voltei atrás, peguei o contrato e a fiz rasgar tais papéis, e disse, por fim, não querer mais "participar da promoção".

Resultado: na semana seguinte, em meu cartão de crédito havia sido debitado R$120,00 referente a assinatura das tais revistas da Editora Peixes. Por que digo isso? Por tomar como exemplo um fato isolado e colocar em um contexto mais geral que é a impunidade em nosso país. A culpa é de quem? Das moças que foram até o lixo e recolheram os pedaços do contrato e o reconstruíram, debitando em minha conta sem devida autorização (muito pelo contrário)? Ou então do cartão de crédito VISA que permite tais serviços em seu nome? Ou em outra hipótese, da Editora Peixes que permite tais serviços terceirizados? Liguei, no Real VISA, e na Editora Peixes. As duas instituições alegaram a mesma coisa. O prazo para a devolução/cancelamento da assinatura é de dois meses! Resumindo: são coniventes com o trabalho do outro. A corrupção não começa pela política, mas por quem os elegem. E a impunidade está arraigada em todos os setores comerciais e sociais em nossa vida, infelizmente. Desde o "gato" para a televisão à cabo a desvios de dinheiro em paraísos fiscais. O que um se justifica pelo outro, mas de qualquer forma os exemplos são corriqueiros em nossa convivência. Tudo começou por duas pessoas que precisam do dinheiro (se não, não estariam fazendo tal tipo de serviço, imagino), mas que de qualquer forma agiram ilegal e incoerentemente, no mínimo. Mas há de se tomar devidas medidas para que a impunidade não seja ainda mais praticada.

Voltando ao foco. Deixar esses imbecis livres é um atestado de que seus atos são apenas desvios feitos por drogas ou bebidas alcoólicas. Enquanto isso, esses jovens utilizam o mesmo cartão de crédito para comprarem de tudo, do status à cocaína, em uma compulsão personificada por um mesmo objeto que serve como fator social e formação de uma carreira. E ao lamberem tudo depois, a situação volta ao normal.
Veja bem, não estou colocando a culpa nas drogas, mesmo porque não é qualquer um que ao beber irá sair espancando mulheres por aí. Ou então quem cheira que, do nada, torna-se-há facista e imbecil.

E mais ainda, a culpa não é apenas dos jovens que espancaram Sirlei, mas da condição social que está inserida. Esquecemos, por um momento, ao sermos bombardeados por notícias com cunho sensacionalista que atrás da irreparável ação que foi agredir uma mulher, que ela está em uma posição social mantida por nós, de uma classe média perversa. Sirlei estava abandona em um ponto de ônibus às cinco da manhã esperando seu ônibus. Por quê? Ou melhor, para que? Pois nossas casas necessitam desse tipo de trabalho. Somos, ainda, senhores de engenho confeccionando uma mão-de-obra barata e destratada.

Ou então podemos reclamar da falta de segurança em nossas metrópoles. Mas o que falta para efetuar essa conscientização de classe e segurança? Mais policias às ruas? Direitos de porte de arma? Lembremos que muitos dos que acusam os imbecis pelo ataque, são os que votaram em NÃO ao desarmamento. A solução é pela lei da bala? Não acredito que seja. Policias não devem possuir mais armas, mas sim valores morais e sociais. Se um bombeiro salva uma mulher de um assalto, isso é comum, mas se um policial faz o mesmo, este é condecorado e vira símbolo de uma sociedade justa. Os valores estão invertidos, e a desconfiança parte de cima para baixo. Há de se concentrar na educação, nos valores, no respeito de classe, e moral.

O que me remete a pessoa de Renato Moreira Carvalho, pai de Sirlei, absolutamente consciente e inteligente em suas falas. Em entrevista concedida ao jornal Estado de São Paulo, disse, dentre outras coisas:

"
Eles (agressores) têm tudo: família, estudo, estrutura.

No fim, não têm nada. Não pude dar os brinquedos que meus filhos pediram, mas dei valores.

"Esses rapazes estão longe de serem crianças. Esse pai devia dizer: 'Meu filho é um homem.
Tem 20 anos, errou, pagará pelo que fez'. Não queria encontrar com eles [pai dos imbecis]. Mas, se tivesse de falar algo, diria para que deixassem os filhos assumir os próprios erros. Não acobertem.
Se não deram responsabilidades a eles quando eram criança, dêem agora. Façam deles homens. Que eles possam tirar desse episódio alguma lição. E que não seja a da impunidade."


Renato é pedreiro e pelo cargo que executa convive muito com a classe média. Assim como sua filha, está sempre presente em "zonas nobres" do Rio de Janeiro em um trabalho assalariado que constrói, mas não desfruta. Passam e lavam roupa, fazem comida, constróem paredes, erguem muros (para segurança de classe), pintam seus apartamentos, lavam o chão, o banheiro, montam o banheiro. São dois exemplos dos agricultores escravos que plantam, mas que nunca irão colher. Tiramos essas pessoas de suas famílias, tomamos todo seu tempo útil doméstico para que dediquem esse hiato em nossas casas, omitindo que por trás de um trabalho, há uma vida, tão complexa e singular.

O problema está enraizado nesse tipo de juventude que não possui valor algum de democracia, e por isso representam o que há de mais facista em uma sociedade autônoma da impunidade. É praticada a anti-democracia de valores, invertendo muitas vezes os papéis dos cúmplices e acusados. Atrás das grades está a classe média, se defendendo de algo que a própria constrói em seu dia-a-dia.

A impunidade, nesse caso, pode se apresentar de diversas maneiras. A mais dolorida será a do não aproveitamento dessa grande lição de moral (e ética) provindo de Renato e sua classe. Ouvir o que este tem a dizer é um atestado de óbito a classe média elitista e separatista, amparada por órgãos de imprensa que fazem valer seus poderes políticos como qualquer revista que registre o fato, mas que o veja de sua maneira.

É só compararmos os discursos dos dois pais para que enxergarmos qual contém uma maior sensatez em suas falas. Muitas vezes o que é dito é tão -ou mais- violento quanto a agressão física proporcionada por cinco imbecis cariocas.

Justiça não começa atrás das grades, mas frente à moral de cada indivíduo.


" Se a gente falasse menos
talvez compreendesse mais
Teatro, boate, cinema
qualquer prazer não satisfaz

Palavra figura de espanto

quanto na terra tento descansar,
mas o tudo que se tem
Não representa nada

Tá na cara

que o jovem tem seu automóvel
E tudo que se tem
Não representa tudo

O puro conteúdo é consideração
Não goza de consideração
"

[Luiz Melodia]

segunda-feira, 2 de julho de 2007

+10

E a CBF achava que a perda de três dias de treinamento iria ocasionar em uma falta de entrosamento para o grupo, decorrente a final que Robinho disputaria pelo Real Madri...

Não tem jeito, o Brasil, por enquanto, é Robinho e + 10. Não adianta culpar Kaká, Zé Roberto e Ronaldinho Gaúcho por dispensa à Copa América, afinal estão lá, ainda, Diego, Wagner Love, Elano, Júlio Batista, Anderson. Tudo bem que o time foi mal escalado por Dunga, mas antes de tudo falta entrosamento e sensibilidade ao perceber que só defendendo o Brasil não vai pra frente (com o perdão do trocadilho).

Paraguai e Argentina jogam logo mais. Em seus primeiros jogos, as duas seleções demonstraram o melhor futebol da Copa América, até então. Se ganharem de novo, hoje, estarão automaticamente classificadas. E pelo jeito, o Brasil vai tomar sufoco com o ataque do Equador, que demonstrou ser inteligente, ontem contra o México, apesar de pouco produtivo em razão da forte marcação mexicana.

O Brasil tem de tomar cuidado, pois as outras seleções estão jogando um futebol mais conciso. E pelo que demonstra, Dunga não agüenta não muito mais que a Copa América.

mais asno que um...

Certa vez estava assistindo ao programa "Irritando Fernanda Young", em que a própria entrevistava Fernando Meirelles. Em um dos quadros do programa ela solta a pergunta: "vou lhe falar algumas coisas e personalidades, e você me responde se isto lhe irrita pouco, pacas ou picas.". Certo. Ela foi dizendo várias coisas e personalidades. E num momento Jô Soares de entrevista, ela cortou, totalmente, o entrevistado e disse que o que mais lhe irrita é Paris Hilton. Disse não suportar a figura da moça. Curioso. Para mim, o que mais irrita não é nem de longe Paris Hilton. Acho-a idiota, mas sincera consigo mesmo. É imbecil e traveste tal persona. Já o caso de brasileiras que se passam por intelectuais disfarçadas de Paris Hilton, não está no gibi. A própria me vem à mente.

Por que disse isso? Pela simples razão do novo reality show protagonizado por Karina Bachi e Ticiane Pinheiro, chamado Simple Life - Mudando de Vida, que estréia amanhã na Record. Na verdade, o reality show homônimo ficou famoso por ser originalmente protagozinado, pela dupla Nicole Richie (filha de Lionel) e... Paris Hilton.

Pois bem, há algo mais idiota que uma cópia de algo explicitamente idiota? E elas se levam tão a sério...


Só essas brasileiras, mesmo, conseguem ser mais imbecis que uma personagem.

três... extremos

O que "Treze Homens e Um Novo Segredo", "Shrek Terceiro", "Piratas do Caribe: No Fim do Mundo" e "Homem-Aranha 3" têm em comum, além da onipresença do número 3?

São todos muito fracos!

"Homem-Aranha 3" achei-o maniqueísta, esquemático e emblemático demais, e psicológico de menos. O contrário que demonstrava sua premissa. Os diálogos são fraquíssimos e a história contendo o Homem Areia é de doer em vários momentos de tão melodramático que ficou. Porém, contradizendo essa linha de raciocínio, o filme é divertido e sabe preencher seus 140 minutos de projeção. Poderia dizer até que o filme pretendia isso mesmo; apenas divertir, mas partindo do princípio de quem o dirige, acho pouco provável tal proposta. A divulgação (imagética e estética) de "Homem-Aranha 3" se abraça com a de "Piratas do Caribe 3", mas isso comento mais tarde.

"Treze Homens e Um Novo Segredo", para mim, além de gostar bastante da série, possuía um elemento adicional que fazia minha expectativa ultrapassar a costumeira quando assisti a "Doze Homens e Outro Segredo". Diverti-me com os dois primeiros filmes. É interessante o filme de grupo que fazem Soderbergh, Clooney, Pitt, Damon. Funcinou bem no retorno financeiro para o grupo, e logo o remake transformou-se em trilogia, a priori. O primeiro filme vinha com o charme dos rat packs em um roteiro, na medida do possível, inteligente e criativo em sua proposta, e o diretor fez de sua brincadeira um bom jogo de táticas entre o drama, a comédia e a ação. No segundo, teve mais liberdade artística e brincou com tudo, inclusive com a própria mise-èn-scene e o cinema hollywoodiano. Muitos torceram o nariz, eu adorei. Divertido, engenhoso dentro do contexto e com um excelente elenco o filme trouxe o grupo mais uma vez debochando de si mesmo.

Agora para encerrar a trilogia, o elenco, praticamente excluiu as personagens femininas, e ganhou de brinde o acréscimo do grande Al Pacino. A palavra chave para mim já estava marcada. Estava na expectativa de conferir o ator de volta ao papel do mafioso com toques hilários pelo contexto que estava inserido. Nem ameaçador e tampouco engraçado, Al Pacino entrou no filme como um coadjuvante de luxo em um dos papéis mais idiotas de sua carreira, nos últimos anos. A história? Praticamente a mesma do primeiro filme. Um grande truque, um mirabolante plano e seus desvios técnicos. Queria mais? Mas é claro! Pouco inventivo, nem um pouco hilário. "Treze Homens e Um Novo Segredo" não revela nenhum segredo e é muito auto-explicativo. Al Pacino não reage. Só está para compor o elenco e vender melhor o trabalho. O filme acaba e nada acontece, nem com Pacino e menos com a história.. Quer dizer, tudo ocorre, mas muitas vezes falar demais é a pior solução. Decepção!

Nunca fui tão fã da série "Shrek" como o rebuliço que esta sempre causou. É estranho essa sensação, mas o filme é só uma parcela do produto Shrek. Antes de ser lançado sua campanha publicitária é tão maciça que não há como ignorar sua presença. O primeiro filme achei bem bacana, o segundo muito engraçado e agora este, apenas ok. "Shrek Terceiro" é um filme linear até demais, suas piadas não decolam, sua trama não é das mais inventivas e o resultado é uma sensação de dèjá vu que pairam em muitas animações digitais que aportam durante o ano. O mais curisoso, para mim, fica a cargo das cenas que mais dei risada no filme que não foram proporcionadas pelo personagem título, nem por suas âncoras (leia-se, gato, burro e Fiona), mas sim por personagens totalmente coadjuvantes, como os nerds que jogavam xadrez. E mais curioso ainda, a graça de suas cenas não provinham de diálogos inteligentes, mas de pequenos gestos que indicam que, muitas vezes, o silêncio é a melhor arma para o sucesso. É interessante ainda o jogo metalinguístico que as animações recentes fazem para com o cinema. Na cena incial de "Shrek Terceiro" há referência/homenagem a uma das mais hilárias contidas em "Monty Python e o Cálice Sagrado"; aquela na qual um cavaleiro ao fingir que está correndo é amparado por seu ajudante com dois pedaços de côcos em mãos, produzindo o barulho do galope do cavalo inexistente em figura. Por que citei essa cena em específico, também não sei. Só sei que o filme não agradou-me como esperava, e o encerramento da trilogia fica devendo a seus antecessores.

Já "Piratas do Caribe: No Fim do Mundo" é um caso a parte. Não se trata apenas de uma decepção, ou de uma perda de fôlego para com a série. A questão é que o filme, realmente, é muito ruim. Para não dizer péssimo. E como é longo! O jargão time que está ganhando não se mexe, nesse caso não serve mais, para mim. Achei o primeiro filme interessante por recuperar a figura dos piratas no cinemão e pelos efeitos especiais acertados, e, lógico, pela onipresença de Johnny Depp em um dos personagens mais marcantes de sua carreira. Mas também, só. Apesar de entender o sucesso do filme, pelos motivos citados, mão compreendi todo a festa em volta deste. Era apenas um filme bom, oras. Já o segundo filme surpreendeu-me, e pensei que iria acontecer algo que ocorreu-me com "Senhor dos Anéis". Havia gostado do primeiro filme, mas foi com o segundo que chapei o côco! Agora com "Piratas do Caribe: No Fim do Mundo", Gore Verbinski se perde e faz um o filme mais irregular de sua carreira. Começa com uma cena densa sobre enforcamento, e os acusados cantando para aliviar a dor. Um belo início. E só. O que vem a seguir é uma fita arrastada de lutas e mais lutas em uma trama falsamente complexa, esquecendo totalemente seu início promissor.


Quando disse que a campanha publicitária de "Homem-Aranha 3" abraça "Piratas" é o fato dos dois induzirem o sombrio, um embate psicológico, mas como resultado filmes rasos, apesar do longa do cabeça de teia ser razoavelmente bom, ainda. Já esse... Depp demora a aparecer em cena, e quando surge não há a mesma impressão dos dois primeiros filmes. Já cansou os trejeitos de seu personagem e, para mim, vê-lo gritar assustado com qualquer situação, ou dar pulinhos desajeitados não é mais tão engraçado, assim. Além de que, o filme, antes de Depp surgir, era segurado pelos personagens mais importantes para história, ou seja, os de Orlando Bloom e Keira Knightley. E o resultado é equiparado ao talento interpretativo dos dois. Bloom já provou ser um desastre como ator. Quando se traveste de um personagem fetiche, como em "Senhor dos Anéis" e aqui, o resultado não é tão constrangedor, mas basta conferir "Tróia", "Elizabethtown" e lembrarmos o quão terrível é sua performance dramática. E algo que não esqueço, de maneira alguma, em filmes como este. Tendo em vista que um dos personagens mais divertidos da série é vivido por um ator irreparável que é Johnny Depp. Mas o grande problema não está nas -não- atuações da dupla, e sim no enredo que estão inseridos. Uma bobagem atrás da outra. A cena de beijo dos dois com a ação por trás é deplorável. Fora a resolução para o personagem do grande Bill Nighy; Davy Jones.

E há ainda a participação de Keith Richards, como pai de Jack Sparrow. É um caso a parte, também. É inútil no contexto geral, mas está lá o humor que filme diluiu em sua empreitada. Sparrow pergunta a seu pai como pode ser ele, um imortal. Mas não são os personagens que estão em cena, é um diálogo provindo de Depp à Richards. Uma brincadeira interessante. No final das contas, a conclusão é de que Keith Richards é, realmente, um velho pirata imortal. Ponto para Depp que ao personificar o pirata, logo no primeiro filme, disse ter se baseado na figura do guitarrista do Rolling Stones. E para encerrar tal ciclo, nada mais apropriado. Um presente para Depp.

O que havia gostado no segundo filme eram suas cenas inteligentes, e emplogantes, de ação e aventura, não perdendo espaço para a comédia e a trama bem elaborada. Aqui, tudo é perdido e muito barulhento. O espetáculo é tragado pela própria alma. Os efeitos continuam excelentes, as maquiagens excepcionais, mas o filme é nulo. Três horas de ação desenfreada não é que o sacia o grande cinema. Tem de haver um bom roteiro, uma narrativa concisa e um resultado mais conexo. "Piratas do Caribe: No Fim do Mundo" é inteiramente linear e entregue a subtramas frágeis e dispensáveis. Não à toa o pior filme da série, e se não o do ano, é segurado por uma dupla tão sem sal quanto sua história. O fim da trilogia indica, ou não exclui, a possibilidade de novas aventuras. Mas pelo andar da carroagem, e pela maneira que esta é induzida, é melhor nem ser produzida.

Depp! Pule do navio, antes que seja tarde!

Os quatro filmes fizeram muito barulho por/pra nada. O silêncio é tão (ou mais) importante que o grito. Uma pena que os longas adotem essa filosofia do barulho, considerando que o espetáculo visual basta. Tanto dinheiro...

tá chegando!

Antes de estrear algum filme arrasa-quarteirões no Brasil, sempre dou uma checada no site IMDb a nota que os leitores concederam a esse. Pois bem, sou grande fã dos filmes de animação da Pixar (mas quem não o é?), e quando vi, pela primeira vez, o trailer do filme acima, Ratatouille, chapei!

Fazendo a regra de três: confiram, aqui, a nota que esse filme recebeu, até agora!

Estréia no Brasil: 06 de Julho!

Eu: Ohhhh the baby!