segunda-feira, 2 de julho de 2007

três... extremos

O que "Treze Homens e Um Novo Segredo", "Shrek Terceiro", "Piratas do Caribe: No Fim do Mundo" e "Homem-Aranha 3" têm em comum, além da onipresença do número 3?

São todos muito fracos!

"Homem-Aranha 3" achei-o maniqueísta, esquemático e emblemático demais, e psicológico de menos. O contrário que demonstrava sua premissa. Os diálogos são fraquíssimos e a história contendo o Homem Areia é de doer em vários momentos de tão melodramático que ficou. Porém, contradizendo essa linha de raciocínio, o filme é divertido e sabe preencher seus 140 minutos de projeção. Poderia dizer até que o filme pretendia isso mesmo; apenas divertir, mas partindo do princípio de quem o dirige, acho pouco provável tal proposta. A divulgação (imagética e estética) de "Homem-Aranha 3" se abraça com a de "Piratas do Caribe 3", mas isso comento mais tarde.

"Treze Homens e Um Novo Segredo", para mim, além de gostar bastante da série, possuía um elemento adicional que fazia minha expectativa ultrapassar a costumeira quando assisti a "Doze Homens e Outro Segredo". Diverti-me com os dois primeiros filmes. É interessante o filme de grupo que fazem Soderbergh, Clooney, Pitt, Damon. Funcinou bem no retorno financeiro para o grupo, e logo o remake transformou-se em trilogia, a priori. O primeiro filme vinha com o charme dos rat packs em um roteiro, na medida do possível, inteligente e criativo em sua proposta, e o diretor fez de sua brincadeira um bom jogo de táticas entre o drama, a comédia e a ação. No segundo, teve mais liberdade artística e brincou com tudo, inclusive com a própria mise-èn-scene e o cinema hollywoodiano. Muitos torceram o nariz, eu adorei. Divertido, engenhoso dentro do contexto e com um excelente elenco o filme trouxe o grupo mais uma vez debochando de si mesmo.

Agora para encerrar a trilogia, o elenco, praticamente excluiu as personagens femininas, e ganhou de brinde o acréscimo do grande Al Pacino. A palavra chave para mim já estava marcada. Estava na expectativa de conferir o ator de volta ao papel do mafioso com toques hilários pelo contexto que estava inserido. Nem ameaçador e tampouco engraçado, Al Pacino entrou no filme como um coadjuvante de luxo em um dos papéis mais idiotas de sua carreira, nos últimos anos. A história? Praticamente a mesma do primeiro filme. Um grande truque, um mirabolante plano e seus desvios técnicos. Queria mais? Mas é claro! Pouco inventivo, nem um pouco hilário. "Treze Homens e Um Novo Segredo" não revela nenhum segredo e é muito auto-explicativo. Al Pacino não reage. Só está para compor o elenco e vender melhor o trabalho. O filme acaba e nada acontece, nem com Pacino e menos com a história.. Quer dizer, tudo ocorre, mas muitas vezes falar demais é a pior solução. Decepção!

Nunca fui tão fã da série "Shrek" como o rebuliço que esta sempre causou. É estranho essa sensação, mas o filme é só uma parcela do produto Shrek. Antes de ser lançado sua campanha publicitária é tão maciça que não há como ignorar sua presença. O primeiro filme achei bem bacana, o segundo muito engraçado e agora este, apenas ok. "Shrek Terceiro" é um filme linear até demais, suas piadas não decolam, sua trama não é das mais inventivas e o resultado é uma sensação de dèjá vu que pairam em muitas animações digitais que aportam durante o ano. O mais curisoso, para mim, fica a cargo das cenas que mais dei risada no filme que não foram proporcionadas pelo personagem título, nem por suas âncoras (leia-se, gato, burro e Fiona), mas sim por personagens totalmente coadjuvantes, como os nerds que jogavam xadrez. E mais curioso ainda, a graça de suas cenas não provinham de diálogos inteligentes, mas de pequenos gestos que indicam que, muitas vezes, o silêncio é a melhor arma para o sucesso. É interessante ainda o jogo metalinguístico que as animações recentes fazem para com o cinema. Na cena incial de "Shrek Terceiro" há referência/homenagem a uma das mais hilárias contidas em "Monty Python e o Cálice Sagrado"; aquela na qual um cavaleiro ao fingir que está correndo é amparado por seu ajudante com dois pedaços de côcos em mãos, produzindo o barulho do galope do cavalo inexistente em figura. Por que citei essa cena em específico, também não sei. Só sei que o filme não agradou-me como esperava, e o encerramento da trilogia fica devendo a seus antecessores.

Já "Piratas do Caribe: No Fim do Mundo" é um caso a parte. Não se trata apenas de uma decepção, ou de uma perda de fôlego para com a série. A questão é que o filme, realmente, é muito ruim. Para não dizer péssimo. E como é longo! O jargão time que está ganhando não se mexe, nesse caso não serve mais, para mim. Achei o primeiro filme interessante por recuperar a figura dos piratas no cinemão e pelos efeitos especiais acertados, e, lógico, pela onipresença de Johnny Depp em um dos personagens mais marcantes de sua carreira. Mas também, só. Apesar de entender o sucesso do filme, pelos motivos citados, mão compreendi todo a festa em volta deste. Era apenas um filme bom, oras. Já o segundo filme surpreendeu-me, e pensei que iria acontecer algo que ocorreu-me com "Senhor dos Anéis". Havia gostado do primeiro filme, mas foi com o segundo que chapei o côco! Agora com "Piratas do Caribe: No Fim do Mundo", Gore Verbinski se perde e faz um o filme mais irregular de sua carreira. Começa com uma cena densa sobre enforcamento, e os acusados cantando para aliviar a dor. Um belo início. E só. O que vem a seguir é uma fita arrastada de lutas e mais lutas em uma trama falsamente complexa, esquecendo totalemente seu início promissor.


Quando disse que a campanha publicitária de "Homem-Aranha 3" abraça "Piratas" é o fato dos dois induzirem o sombrio, um embate psicológico, mas como resultado filmes rasos, apesar do longa do cabeça de teia ser razoavelmente bom, ainda. Já esse... Depp demora a aparecer em cena, e quando surge não há a mesma impressão dos dois primeiros filmes. Já cansou os trejeitos de seu personagem e, para mim, vê-lo gritar assustado com qualquer situação, ou dar pulinhos desajeitados não é mais tão engraçado, assim. Além de que, o filme, antes de Depp surgir, era segurado pelos personagens mais importantes para história, ou seja, os de Orlando Bloom e Keira Knightley. E o resultado é equiparado ao talento interpretativo dos dois. Bloom já provou ser um desastre como ator. Quando se traveste de um personagem fetiche, como em "Senhor dos Anéis" e aqui, o resultado não é tão constrangedor, mas basta conferir "Tróia", "Elizabethtown" e lembrarmos o quão terrível é sua performance dramática. E algo que não esqueço, de maneira alguma, em filmes como este. Tendo em vista que um dos personagens mais divertidos da série é vivido por um ator irreparável que é Johnny Depp. Mas o grande problema não está nas -não- atuações da dupla, e sim no enredo que estão inseridos. Uma bobagem atrás da outra. A cena de beijo dos dois com a ação por trás é deplorável. Fora a resolução para o personagem do grande Bill Nighy; Davy Jones.

E há ainda a participação de Keith Richards, como pai de Jack Sparrow. É um caso a parte, também. É inútil no contexto geral, mas está lá o humor que filme diluiu em sua empreitada. Sparrow pergunta a seu pai como pode ser ele, um imortal. Mas não são os personagens que estão em cena, é um diálogo provindo de Depp à Richards. Uma brincadeira interessante. No final das contas, a conclusão é de que Keith Richards é, realmente, um velho pirata imortal. Ponto para Depp que ao personificar o pirata, logo no primeiro filme, disse ter se baseado na figura do guitarrista do Rolling Stones. E para encerrar tal ciclo, nada mais apropriado. Um presente para Depp.

O que havia gostado no segundo filme eram suas cenas inteligentes, e emplogantes, de ação e aventura, não perdendo espaço para a comédia e a trama bem elaborada. Aqui, tudo é perdido e muito barulhento. O espetáculo é tragado pela própria alma. Os efeitos continuam excelentes, as maquiagens excepcionais, mas o filme é nulo. Três horas de ação desenfreada não é que o sacia o grande cinema. Tem de haver um bom roteiro, uma narrativa concisa e um resultado mais conexo. "Piratas do Caribe: No Fim do Mundo" é inteiramente linear e entregue a subtramas frágeis e dispensáveis. Não à toa o pior filme da série, e se não o do ano, é segurado por uma dupla tão sem sal quanto sua história. O fim da trilogia indica, ou não exclui, a possibilidade de novas aventuras. Mas pelo andar da carroagem, e pela maneira que esta é induzida, é melhor nem ser produzida.

Depp! Pule do navio, antes que seja tarde!

Os quatro filmes fizeram muito barulho por/pra nada. O silêncio é tão (ou mais) importante que o grito. Uma pena que os longas adotem essa filosofia do barulho, considerando que o espetáculo visual basta. Tanto dinheiro...

0 comentários: