Sabe aquele filme que ao assistir cada vez mais vezes você descobre uma coisa diferente nele, mesmo sendo este, classificado por você, simplesmente perfeito? É o caso de "O Fabuloso Destino de Amèlie Poulain", para mim que revi ontem e tive vontade de escrever algumas linhas sobre tal. Sei que a maioria já viu o filme, e que coleciona fãs ao redor do mundo, portanto desconsidere esse devaneio barato.É aquele tipo de filme que preenche os seus 120 minutos de projeção com conteúdo, inteligência e plasticidade, ao máximo que as palavras sugerem. O mais óbvio a se destacar é sua brilhante fotografia, concebida por Bruno Delbonnel trabalhado em cima de um tom de cores predominantemente entre o vermelho e verde. Sua linguagem imagética é um espetáculo visual à parte, e todas suas cenas parecem ser muito bem orquestradas e coreografadas por um resultado tão sublime em tela. Não à toa virou cult e estampa diversas camisetas ao redor do mundo com a marca Amèlie. Fora o corte de cabelo e assim por diante. Mas o modismo, nesse caso, fica a segundo plano, tendo em vista o valor cinematográfico tão rico contido em fita.
O longa te conquista logo de cara com a brilhante narração em off contando a vida dos personagens que passeiam em tela, numa valsa lírica e poética dentro da narrativa. E é impossível não identicar com algum deles, seja nas situações mais dramáticas ou na mais simples, e por assim ser, sensíveis. Como ao apresentar cada personagem contando o que este gosta ou desgosta. "Amèlie Poulain" parece conduzir-nos a uma dança suave entre a beleza e o prazer. Uma fábula francesa apaixonante, digna de clássico recente.
"Amèlie Poulain" remete-me ao grande sabor de viver os pequenos momentos da vida. O que vem de encontro com uma cena recente que vem penetrando minha mente durante essa semana. A cena é do filme "Perfume de Mulher"; aquela na qual o personagem de Al Pacino puxa Gabrielle Anwar para dançar, ela hesita, e diz que só tem um minuto livre já que aguarda seu namorado, e Al lhe responde "muita gente vive a vida em um minuto". A dança é um show à parte ao som de "Por Una Cabeza", de Carlos Gardel, e o filme atinge seu esplendor.
"Amèlie Poulain" não tem uma cena dessas, mas diversas. O filme é construído por várias idéias geniais, que por si só poderiam resultar em excelentes videoclipes ou curta-metragens, mas que no contexto inserido -roteiro, diálogos, fotografia e personagens- fazem deste um dos mais poéticos filmes produzidos pelo Cinema recente.
A dica fica pra quem ainda não ouviu a trilha sonora do filme, composta por Yann Tiersen. Arrisco-me a dizer que sem esta, o filme não seria tão fabuloso. Além de remeter ao filme, o som é, por si só, delicioso.
E para quem ainda não assistiu os outros filmes de Jean-Pierre Jeunet lançados no Brasil; "Delicatessen" e "Eterno Amor", fica a dica. Um grande autor francês.
Um comentário:
to depressinha
mas....
mas pra quem aprecia alternancia do vermelho e verde
recomendo tb" a dupla vida de veronique"(Kielowski)
trilha e fotografia liricos
bjo Exuvia Hannar Lorien
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