sexta-feira, 13 de julho de 2007

as coisas simples da vida

Sabe aquele filme que ao assistir cada vez mais vezes você descobre uma coisa diferente nele, mesmo sendo este, classificado por você, simplesmente perfeito? É o caso de "O Fabuloso Destino de Amèlie Poulain", para mim que revi ontem e tive vontade de escrever algumas linhas sobre tal. Sei que a maioria já viu o filme, e que coleciona fãs ao redor do mundo, portanto desconsidere esse devaneio barato.

É aquele tipo de filme que preenche os seus 120 minutos de projeção com conteúdo, inteligência e plasticidade, ao máximo que as palavras sugerem. O mais óbvio a se destacar é sua brilhante fotografia, concebida por Bruno Delbonnel trabalhado em cima de um tom de cores predominantemente entre o vermelho e verde. Sua linguagem imagética é um espetáculo visual à parte, e todas suas cenas parecem ser muito bem orquestradas e coreografadas por um resultado tão sublime em tela. Não à toa virou cult e estampa diversas camisetas ao redor do mundo com a marca Amèlie. Fora o corte de cabelo e assim por diante. Mas o modismo, nesse caso, fica a segundo plano, tendo em vista o valor cinematográfico tão rico contido em fita.

O longa te conquista logo de cara com a brilhante narração em off contando a vida dos personagens que passeiam em tela, numa valsa lírica e poética dentro da narrativa. E é impossível não identicar com algum deles, seja nas situações mais dramáticas ou na mais simples, e por assim ser, sensíveis. Como ao apresentar cada personagem contando o que este gosta ou desgosta. "Amèlie Poulain" parece conduzir-nos a uma dança suave entre a beleza e o prazer. Uma fábula francesa apaixonante, digna de clássico recente.

"Amèlie Poulain" remete-me ao grande sabor de viver os pequenos momentos da vida. O que vem de encontro com uma cena recente que vem penetrando minha mente durante essa semana. A cena é do filme "Perfume de Mulher"; aquela na qual o personagem de Al Pacino puxa Gabrielle Anwar para dançar, ela hesita, e diz que só tem um minuto livre já que aguarda seu namorado, e Al lhe responde "muita gente vive a vida em um minuto". A dança é um show à parte ao som de "Por Una Cabeza", de Carlos Gardel, e o filme atinge seu esplendor.

"Amèlie Poulain" não tem uma cena dessas, mas diversas. O filme é construído por várias idéias geniais, que por si só poderiam resultar em excelentes videoclipes ou curta-metragens, mas que no contexto inserido -roteiro, diálogos, fotografia e personagens- fazem deste um dos mais poéticos filmes produzidos pelo Cinema recente.

A dica fica pra quem ainda não ouviu a trilha sonora do filme, composta por Yann Tiersen. Arrisco-me a dizer que sem esta, o filme não seria tão fabuloso. Além de remeter ao filme, o som é, por si só, delicioso.

E para quem ainda não assistiu os outros filmes de Jean-Pierre Jeunet lançados no Brasil; "Delicatessen" e "Eterno Amor", fica a dica. Um grande autor francês.

Um comentário:

Poemista disse...

to depressinha
mas....
mas pra quem aprecia alternancia do vermelho e verde
recomendo tb" a dupla vida de veronique"(Kielowski)
trilha e fotografia liricos
bjo Exuvia Hannar Lorien