O Brasil me (nos) surpreendeu e conquistou a Copa América. Não só o título, mas o jogo em si já fora uma surpresa em cima de uma Argentina apática que vem se tornando os nossos fregueses de luxo. A partida foi unilateral, e por assim ser, muito aquém de uma grande final. Oras, estariam jogando Brasil e Argentina! Haja coração... Não havia postado nada pós-jogo do Brasil, final da Copa América de Futebol, não por falta de vontade, mas sim de tempo. Se você ler dois posts atrás, verá que minha visão para com o jogo era pessimista. Por diversas razões, mas a principal era o futebol apresentado pelas duas seleções. Enquanto o Brasil apresentou um futebolzinho desagradável por toda a primeira fase, e enfretou duas equipes, nas fases finais -quartas e semi-, de talento duvidoso, a Argentina passeou pela Venezuela promovendo os melhores jogos disputados da competição. Um futebol alegre, preciso, e principalmente, muito talentoso.
E na grande final, tendo em vista tais históricos era fácil de se imaginar o que ocorreria. Pois bem, a Argentina vestiu a camisa brasileira e concluiu sua participação em uma Copa América injusta pelo contexto, mas precisa pela decisão. Mas os argentinos não se travestiram de brasileiros, mas apenas tomaram como exemplo a cor mais forte do uniforme rival. Um amarelo gritante!
O futebol de resultados fora o vitorioso. O futebol, do até então, retruncado foi o vencedor. Por isso Dunga teve razão? Ao meu ver, ainda não. O treinador apostou em um futebol típico de seleções de níveis muito aquém da "melhor do mundo". O discurso vinha de encontro com tal filosofia, e até quando conquistou a taça, continuou pregando seus pensamentos. Como "nós sempre criamos seis ou sete alternativas de gol todo jogo da competição", "o brasil passou todos seus adversários" e por aí vai. Mas me pergunto; isso não era o mínimo para uma seleção brasileira!? Para o Dunga não, já que parece o treinador de um São Caetano em uma Libertadores da América.
O fato da Argentina não ter jogado absolutamente nada contra o Brasil, não tira os méritos da seleção canarinha, muito pelo contrário, já que a razão do primeiro fora o futebol do segundo. O Brasil não apenas fez uma boa apresentação, mas a melhor da Copa América, e não lembrou em nada com aquele time defensivo que fomos acostumados a ver.
A seleção brasileira está de parabéns; pelo futebol demonstrado na final. Ponto. O que me parece o mínimo também, em se tratando de final e do maior clássico de futebol do mundo. A questão é: nada tira os méritos da seleção, mas também não podemos esquecer suas falhas e seu futebol horroroso até chegar a final. Um título pode representar muita coisa, mas não invalida outras, como a precoupação em nosso maior talento futebolístico. O Brasil jogou muito MAL a Copa América, muito BEM a FINAL; e foi campeão. Mas podia ter sido eliminada em qualquer fase anterior. Qualquer França, Nigéria ou Camarões que o Brasil enfrentasse pelas quartas de final, seria um grande empecilho para AQUELE futebol, imagino.
Havia dito em post anterior, que seria injusto o Brasil ganhar de uma seleção de um futebol tão sublime, porém quem calou-me a boca foram os argentinos que não jogaram nem um décimo do que poderiam. Entraram com o salto alto e a emoção do clássico fora substituída por uma seleção displicente e pálida. O Brasil, sim, fez uma partida exemplar em se tratando de uma final, jogando bem e não deixando jogar. Em um campeonato de pontos corridos, os argentinos seriam os prováveis campeões (com mérito), mas em decisões diretas o que prevalece é o momento, o dia. E o Brasil foi frio, calculista, imprescindível e preciso. O Brasil virou a Argentina e a Argentina o Brasil da Copa América.
E também deixo os parabéns para os melhores jogadores da final: Josué e Mineiro; a brilhante dupla de volantes que já fez história por um São Paulo recente. Tevez, Messi, Riquelme, Zanetti, Verón, Cambiasso, Mascherano nada fizeram, ou melhor, nada conseguiram fazer.
A Copa do Mundo é nossa
O que mais irrita em transmissões televisivas, principalmente pela Rede Globo, é o caráter patriótico excessivamente hipócrita. É muito claro que a Globo e a CBF possuem relações intrínsecas. Ou você acha que a Globo tem preferência dos direitos de transmissão das competições nacionais à toa? Ou então, você já reparou que ninguém (da Globo) critica a Confederação Brasileira de Futebol? E mais ainda, junte tudo isso aos elogios excessivos de Galvão Bueno à seleção e à comissão brasileira (Dunga, Jorginho, por baixo dos panos, Ricardo Teixeira) e a campanha para a Copa do Mundo de 2014, aqui no Brasil. Galvão ficou mais de dois minutos comentando -e promovendo- a candidatura do Brasil para com a Copa do Mundo, quando encerrada a partida. Estavam presentes para a entrega de medalhas e taça, Ricardo Teixeira e Joseph Blatter. E os jogadores e a comissão com as camisetas com o logo da Copa do Mundo de 2014. Mais ainda, Dunga quando questionado, na entrevista coletiva após o jogo, sobre a relação da comissão técnica e dos jogadores para com a campanha, quem tomou a iniciativa, o técnico respondeu rispidamente e extremamente irritado. Para bom entendedor, meia palavra basta.
Outro aspecto: Dunga ganhou o título e dedicou a todas as crianças que sofrem pelo mundo. Pela Palestina, Brasil, ex-Iugoslávia, Iraque... Um ótimo exemplo, mas duvido de suas intenções. Será que dedicou mesmo o título a elas, ou apenas utilizou tais crianças como forma de calar a boca dos repórteres? Já que sempre afirmava, "as crianças tem alma pura, não tem maldade" em tom de ameaça e olhar muito duvidoso. O exemplar (que também é discutível; isso deveria ser o comum) tornou o vulgar. Uma pena, mas é claro que Dunga ainda é muito imaturo como técnico e líder da "maior seleção de futebol", hoje.
Criticar sempre, menosprezar jamais...
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