É unanimidade que os preços de shows, cinema, teatro são abusivos. Certo? Nem sempre. O que acontece sempre nesse sentido de elevação de preços é a não preocupação a longo prazo. Se em um dia o preço de um ingresso para cinema custava R$10, e hoje R$18, quase o dobro, isso não pode ser considerado apenas uma questão inflacionária e/ou crise financeira em termos de espetáculo pelo Brasil.Há um bom tempo está havendo uma discussão sobre os preços abusivos de ingressos para eventos artísticos, principalmente em shows. Se você não conhece o senhor da foto acima, trata-se de Paulo Amorim, diretor da casa de espetáculos Tom Brasil Nações Unidas, em São Paulo. Pois bem, um dos responsáveis pelos preços cada vez mais elevados para "espetáculos" se faz valer pela persona que este representa no meio artístico. Veja bem, não estou, de maneira alguma, culpando o sujeito pela situação atual. Isso seria, além de minimizar o problema, ingenuidade. Mas este, sim, representa uma classe de empresários donos de meios/eventos culturais que permeiam as capitais brasileiras.
Comecemos assim, quanto custa o ingresso para conferir Cirque du Suleil? Pois eu lhes digo, o mais barato, R$130. O que esse show tem tão especial para custar tanto assim? A resposta é perigosa, já que a pergunta, mais ainda. Pela televisão é um espetáculo visual deslumbrante que valoriza o ser humano como arte, e redesenha o papel do circo em sua temática, atribuindo a apresentação a números protagonizados apenas por seres humanos. Ou seja, não há animais. A causa é nobre e válida, mas há uma contradição nisso tudo. Elitizar um movimento ou uma causa faz com que o tiro saia pela culatra, mesmo porque apenas uma porcentagem irrisória terá a possibilidade de conferi-los ao vivo. Quem pagará um terço de um salário mínimo para ir em UM show? Muita gente! Como no caso do U2, a banda "mais politizada do mundo", juntamente com porta voz da fome, representante cultural-artístico da ONU, que é o Bono. O show dos caras, aqui, no terceiro mundo, custou R$200, o ingresso mais barato. Ou seja, suas mensagens não são exatamente a que travestem. Ou melhor, não atingem tais. A "burguesia" parcela seu ingresso em até três vezes e assiste o maior espetáculo da face da terra... Tudo errado.
Onde quero chegar? Ao mais óbvio, por enquanto; a cultura é elitizada e separatista, hoje no Brasil.
Os preços de alguns eventos em São Paulo, hoje (registrando os setores mais baratos):
Exposição Corpos Humanos na OCA - R$40
Exposição Leonardo da Vinci - A Exibição de Um Gênio - R$40
Roberto Carlos - R$90
Incubus - R$90
Teatro Mágico - R$30
Blue Man Group - R$60
Cinema Iguatemi - R$16
Cinema Metrô Santa Cruz - R$12
Cinema Bristol - R$13
Ou seja, esses são alguns exemplos de eventos culturais que ocorrem na cidade de São Paulo que fazem crer que o seu público seja "selecionado" (em um dos termos mais facistas que surgiu para tal suposição). A pergunta que fica é: por que esses preços tão utópicos em um país terceiro-mundista?
A resposta fica a cargo do senhor Paulo Amorim: "Quando você joga o preço do ingresso a R$ 600, na verdade quer faturar R$ 300, que é o preço verdadeiro da entrada. O câncer dessa história toda é a meia-entrada. Hoje em dia, pagam meia-entrada idosos, deficientes físicos e qualquer estudante, até quem faz MBA, que ganha em média R$ 20 mil por mês, tem uma carteirinha".
Então o pensamento é o seguinte: a meia-entrada é um câncer para os eventos culturais. Vejam bem, os preços abusivos não o são? Os responsáveis, de fato, são as pessoas que possuem o direito de pagar meia-entrada? Desde quando isso? E por que? Por partes. Para mim, o que fica bem claro, é uma bola de neve que parte de cima para baixo e não vice-versa como tenta argumentar Amorim. O empresário joga a culpa nos descontos de meia-entrada, mas aos poucos, aumentando gradativamente os valores de seus ingressos para tapar esse "buraco" que existe entre os descontos de meia-entrada, faz valer um exercício anti-democrático.
A desculpa dos empresários é das uma questões mais comentadas do gênero, atualmente, que são as carteiras estudantis falsificadas. Mas nem entremos na questão do legal e ilegal que, para mim, mais uma vez, é clara a participação nesse setor já que os preços são cada vez mais absurdos. Como exemplo, utilizemos a indústria fonográfica que cobra R$35, em média, por um cd novo, sendo que pela internet você pode baixá-lo "de graça". Agora a indústria está entendendo tal incongruência democrática de valores, e os MySpace´s da vida estão aí para provar que a forma "independente" de divulgação não é errônea e falha, pelo contrário.
Amorim, contra argumenta o fato de todos pagarem meia-entrada, hoje, com: "Havia pessoas que chegaram ao show de Jaguar e que pagaram meia. Eu gostaria muito de trazer uma artista como Liza Minnelli para fazer cinco dias de shows com ingressos a, no máximo, R$ 100, mas o governo oferece benefícios a uma infinidade de setores sociais. Professores da rede pública, por exemplo, têm direito à meia-entrada, agora, se eles ganham mal, não é culpa minha. Os políticos ficam fazendo caridade com o chapéu alheio."
Além de ser incongruente, anti-democrático, é, acima de tudo, hipócrita! Ora essas, não importa se alguém que possua jaguar ou um mercedez pague meia-entrada. Nada lhes impede de fazer isto! Pelo contrário, estão em seus direitos enquanto democracia. Agora se você argumentar que essas pessoas estão roubando essas meia-entradas de pessoas que não podem pagar, será irracional, já que o preço da meia-entrada, quem pode pagar, hoje, são tais pessoas que possuem jaguar, mercedez, BMW em suas garagens.
Ainda bem que nem toda a classe artística está cercada por imbecis como o empresário Paulo Amorim e seus companheiros de SPA/Daslu. Há a opção de assistirmos a um show pelo SESC, por exemplo. Uma exposição, de graça, de Darwin, no MASP (inclusive muito melhor estruturada e interessante que a paga Leonardo da Vinci, na OCA). Ir ao cinema de segundas-feiras no HSBC Belas Artes, pagando R$8, ou então durante a semana no Gemini. Conferir exposições e mostras, gratuitamente, pelo SESI, MIS. Ou seja, opções alternativas, realmente existem, o problema é que elas são minorias e só existem como pérola, porque há uma classe elitista artística que pensa que o preço é equivalente ao espetáculo assistido.
Pobre cidadãos.













