Baixei o novo cd solo de Chris Cornell, pós saída Audioslave. Gostei do resultado, apesar de não considerar tão empolgante quanto prometia de início. O começo com "No Such Thing" é arrasador, mas ao avançar o resultado vai decaindo, assim como a própria faixa. Dentre as músicas contidas no cd, está a -bela- regravação de "Bille Jean" e "You Know My Name", tema do novo 007. E é com essa inspiração que me leva a escrever sobre o filme que me veio à mente através dessa bela canção.Disque M Para Matar
Fazia algum tempo que não sentia emoção, ou melhor, empolgação com a série protagonizada pelo agente secreto mais famoso do cinema. Quando “007 – Cassino Royale” tem início, a empolgação que me veio fora inequívoca: um dos melhores exemplares estava tendo início, juntamente com a inspirada música de Chris Cornell.
Depois de quatro filmes, sai Pierce Brosnan, e entra Daniel Craig. Uma mudança radical não só pelo peso da própria atuação, mas também pelo caráter físico do ator. Loiro e de olhos claros, Craig vai à contramão de tudo que se estereotipava em termos de James Bond. Convenhamos, de uns anos para cá, a série era mais considerada fetiche do que filme, levando em consideração que o agente já protagonizou grandes longas na pele de Sean Connery, Roger Moore e alguns outros atores.
Fazia um tempo que o personagem precisava de um upgrade, de uma atualização para o mundo em que vivemos. O que ocorreu de forma acertada com o excelente “Batman Begins”. O espião estava ficando velho e atrasado com a chegada de Jack Bauer, Jason Bourne entre outros personagens de fato. Porém o ditado antes tarde do que nunca ainda é válido.
O longa dirigido por Martin Campbell aprofunda na formação de James Bond como 007 e dá novo gás a série. Tudo no filme é mais crível. As lutas mais cruas, os diálogos mais inspirados, os vilões mais humanos (no sentido de atingíveis e carnais) e o próprio agente muito mais vulnerável, o que resulta no filme mais bem sucedido da série de uns bons anos para cá. O roteiro é inteligente o suficiente para envolver o espectador não duvidando de sua inteligência. As ações continuam fantásticas, porém menos incríveis e mais bem coreografadas. A sensação é de empolgação e admiração para com os (excelentes) dublês.
E por falar em excelente, o adjetivo cabe bem ao grande ator que Craig o é. Diferentemente de muitos outros que se travestem do personagem e encarnam só o que o estereótipo lhes propõe, Craig vive a pessoa e torna complexo o fenômeno imagético que veste.
Os diálogos estão também muito mais divertidos e sarcásticos, sem deixar o clima James Bond de lado, imortalizado por Connery. Mas o roteiro vai além e investiga os motivos que levam a Bond ser quem ele é hoje, ou melhor, quem será amanhã. De resto, todas as outras atuações são dignas, desde a veterana Judi Dench à estreante Eva Green, passando ainda pelos ótimos Jeffrey Wright e Mads Mikkelsen.
Enfim, é sempre bom ter de volta grandes personagens com histórias ao nível de suas figuras. E é sempre bom ter Bond, James Bond, à ativa ensinando aos mais jovens como é que se vive e deixa-se morrer.
É agente como a gente.
Um comentário:
Hahahahahahahaha! Gostei do "agente como a gente"
E detalhe: reparou que todos os agentes que você citou, carregam a sigla JB?! Será que baseados no Bond mesmo?!
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