Um grande filme! Esse é o primeiro filme de De Niro na direção. Claramente inspirado no jeito de se filmar de Martin Scorsese, “Desafio No Bronx” possui todo um clima que é peculiar ao diretor de outros grandes filmes de gângsters. Em época de lançamento de “O Bom Pastor” é hora de (re)ver a primeira incursão de De Niro por trás das câmeras. Dedicado ao seu pai, falecido no mesmo ano de lançamento, 1993, o filme carrega muito essa relação pai/filho, muito bem talhada dentro de um sensível (e potente) roteiro.Começa com um off que já puxa o espectador ao filme num jeitão de clássicos do início da década de 90. De Niro vive o motorista de ônibus, Lorenzo Anello, pai de uma família humilde no tal Bronx do título. A família é sua maior conquista e seu filho, Calogero Anello, interpretado por dois atores estreantes, é essencial ao desenvolvimento do longa. E é bom dizer, os dois que o representam fazem muito bem suas partes. O tal bairro é palco de um grupo de mafiosos que parecem o controlar, adquirindo respeito com o medo alheio. As crianças são observadoras e percebem que estes são os mais sucedidos, o que torna perigoso para seus pais com seus valores. O simples enredo que parecia ser sobre gângster, revela-se mais sobre valores familiares e honestidade. O rito de passagem para tal é a chave para que o filme funcione tão bem.
No longa, há diversas estréias; do próprio De Niro como diretor, Chazz Palminteri como roteirista, e que vive a persona do mafioso Sonny, Francis Capra, carismático e perfeito no papel de filho de De Niro aos 9 anos, e do ator colombiano Lillo Brancato, como o mesmo filho, mais velho, com 17 anos. Todos se saem muito bem, e o resultado é um filme conciso, maduro e potente. Há belas cenas, excelentes diálogos e situações pertinentes que discutem além do que a premissa propõe (não direi quais são para não estragar a primeira impressão).
Um grande filme mal divulgado no Brasil, apesar de ter sido lançado pela “Videoteca da Folha” anos atrás em VHS. Em DVD, sua edição é pobre e mal trabalhada numa péssima qualidade. Mas não importa, o filme continua poderoso.
Filho de peixe...

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