O cinema sul-coreano está em alta com produções, além de bem orçadas, de grande relevância artística, assim como acontece hoje em um (denominado) cinema novo argentino, em que se percebe uma fina carpintaria entre as obras num verniz entre talento e simplicidade. Não entrarei na questão do cinema oriental, mais propriamente o coreano, possuir em torno de U$200 milhões reservado a indústria cinematográfica, ou então que essa alcançou a marca de 60% dentro de seu mercado, por exemplo. O que interessa aqui é comentar esse projeto tão subliminar de Ki-duk Kim, grande diretor autoral de maravilhas contemporâneas como “Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera”, “Time”, “O Arco”.
Aqui, em “Casa Vazia”, a premissa simples dá lugar a um longa construído a partir de silêncios e lacunas a serem preenchidas pelo espectador, que se observar com atenção constatará uma –quase- ode aos grandes valores tão menosprezados hoje. Nômade, o protagonista invade diversas residências e as habita por pequenos tempos em que seus moradores não se encontram. Há uma mania de arrumar tudo que está quebrado na residência, descobrir a vida destes através do que possuem ou como organizam o ambiente em sua composição, por parte do nosso protagonista, em uma linda metáfora social. Estes valores materiais, Ki-duk Kim parece nos dizer, revela muito mais das pessoas que os possuem.
Cabe um paralelo com “Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera”; a relação mestre e aprendiz funciona aqui também, evidenciado com a aparição de uma segunda protagonista. Aliás, as cenas que dividem até a metade do filme, são delicadamente contemplativas, ricas em uma poesia visual que só um cinema autoral que é, torna palatável.
Mais um belo, e consciente, trabalho de um diretor que lida com a contemporaneidade de maneira atraente, resultando projetos, no mínimo, interessantes. O final de “Casa Vazia” –não contarei- concilia o discutido em obra com significância visual, desmaterializando-se de todo arquétipo social que vestimos.
Se você tiver os canais Telecine, não perca no Cult:
Sex, 30/03 às 00:40
Seg, 23/04 às 00:50
Um comentário:
Por um segundo achei que a moça da foto fosse a Sun, do Lost. Mas daí minha intuição afiada (e o IMDB) disseram que não, não é! Mas nessa foto... Igualzinha!
Postar um comentário