quinta-feira, 29 de março de 2007

Entendendo o Widescreen

Com certeza, vocês já ouviram os termos Widescreen e Fullscreen, estes designados para elucidarem qual formato de tela de projeção para certo filme, por exemplo. Se você olhar atrás de todos os dvd´s, estará lá, é só procurar, a especificação do formato de tela. Mas afinal, como funcionam esses termos tão usuais na linguagem e tão pouco explicados na prática?


Não interessa tanto neste caso, aprofundar-se em cada um dos itens com termos técnicos e linguagem rebuscada cinematográfica, mesmo porque até para quem os estuda não se trata de uma simples questão, em contrapartida, tampouco são inteligíveis. Portanto, utilizarei mais de uma linguagem simples, com exemplificações através de imagens. As imagens foram editadas através de filmes que possuo em dvd. Este, no caso, “Um Estranho No Ninho”.


Basicamente: fullscreen é o formato para a visualização em televisões (hoje ainda mais comuns no Brasil). Por enquanto não entrarei na questão das novas televisões possuírem um aspecto widescreen.


Qual a diferença?

Os filmes antigamente eram filmados de maneira usual à época, ou seja, com imagens com aspecto fullscreen (mais “quadradas”), mas quando surgiram os televisores, os estúdios para diferenciarem esse aspecto começaram a trabalhar com um diferente formato de tela. Aí que entra o tal widescreen.


Wide o quê, véio?

Widescreen é o formato de tela de projeção para o cinema. Wide (amplo em inglês) seria mais parecido com a capacidade de visão humana, portanto quando os estúdios começaram a diferenciar suas produções das exibidas em televisões, criaram esse formato, associado hoje sempre ao cinema.


Quando você assiste a um filme em widescreen nos cinemas, este está exatamente como o diretor o filmou, sem precisar cortar nenhuma parte da cena, pois as telas do cinema têm um aspecto 16:9, mais retangular. A chave para entender os dois formatos está em tais números, que você já deve ter lido e/ou escutado. Os tais, 16:9 e 4:3.


Entendendo os números

Pense como qualquer medida matemática. Na tela widescreen, a imagem em tela tem um aspecto proporcionalmente 16 vezes em largura, em relação a 9 de altura, por isso as telas de cinema são mais “retangulares”. Já nas televisões essa medida limita-se a 4 (de largura) por 3 (altura), ou seja, mais “quadrada”, como a própria tela de seu televisor.


Agora entra a questão principal da discussão em que pretendo entrar. Quando um filme sai do cinema, e chega em sua casa no formato de dvd, há logicamente todo um procedimento para que essa imensa imagem “caiba” dentro de sua televisão, respeitando os diferentes formatos e proporções. O filme exibido nos cinemas não pode ser o “mesmo” do qual você assiste em sua televisão, em aspecto. Por isso entram aqui as duas “faixas pretas” em cima e em baixo da tela.


O que são elas exatamente? Para que a imagem não fique com aparência esticada (pense: como um retângulo pode caber em um quadrado?), a solução é adequar o tamanho de tela para a televisão, essa, mais quadrática, repito. Portanto as duas faixas são inseridas para respeitar tais diferenças proporcionais, sem haver distorção de imagem. As tais faixas são pretas, apenas para dar contraste a imagem exibida e torná-la esteticamente melhor visualizada.


Mas fica a pergunta: eu assisto muitos filmes com a tela cheia. E aí, porque eles não fazem isso com todos os filmes? Pela simples razão de que essa forma de exibição estará (sempre) cortando o filme original para adaptá-la a sua tela. Portanto, ver um filme em tela cheia nunca é bom sinal, pelo contrário.


Um parêntese: claro, nem todos os filmes são filmados em widescreen, portanto quando esse é filmado em fullscreen mesmo (produções menores), o aspecto quadrado da tela do cinema para a televisão não tem muita diferença. Ver então um filme fullscreen em tela cheia, sem problemas, é seu verdadeiro aspecto, mesmo. O problema é quando este é em widescreen, e em sua tv, exibido em tela cheia. Há algo de errado aí.


Para exemplificar tal procedimento, editei algumas imagens capturadas diretamente do dvd de “Um Estranho no Ninho”, edição especial essa, que possui ambas as versões em um dvd double layer. De um lado, uma versão Fullscreen e de outro Widescreen do mesmo filme. Portanto, selecionei exatamente a mesma cena nas duas versões, para entendermos melhor os procedimentos.


A projeção, no cinema:



Agora, quando este mesmo filme chega em dvd em sua casa:



O processo para transpô-lo do cinema para a televisão:
*Repare que o filme preenche todos os ângulos do televisor, porém há um corte violento nas laterais da imagem, excluindo o que quer que seja. No caso, dois (!!) personagens.



E como se faz, para isso não ocorrer? Simples. Veja:


Esse é o famoso formato Widescreen, que insere duas faixas pretas em cima e em baixo da imagem, mas que respeita seu aspecto original.



Agora entra a pergunta, por que então as pessoas “preferem” assistir um filme cortado? Pelo simples fato de haver um descaso tremendo das distribuidoras para com seu público, menosprezando sua inteligência. Não é explicado como é executado esse processo, e os porquês de colocar as tais faixas pretas. E aquele pensamento: “minha tv já é pequena, com as faixas pretas então, perco mais ainda o campo de visão”, é equivocado justamente por ser mal explicado.



Pude dar esse exemplo visual com mais precisão, em razão de possuir um dvd que contém esses dois formatos inseridos. A maioria não é assim? Não! Era. Há uns quatro anos atrás, as distribuidoras lançavam dvd´s com diferentes aspectos, ou então, melhor ainda, como esse, em um único dvd onde possui os dois formatos juntos num disco double layer (àquele no qual os dois lados são transparentes, ou seja, “legíveis”).


Hoje em dia, ainda são lançadas as duas versões em diversos filmes (mais comum aos blockbusters), não em respeito aos consumidores, pelo contrário, para poderem assim, lucrarem em dobro. Simples: lançam uma versão Fullscreen, e depois de meses ou ano, relançam o mesmo filme no formato Widescreen. E para não esperar todo esse hiato, o grande consumidor menos informado, adquire um filme pela “metade”, sem saber. Isso é mais que informação, é direito do consumidor e do artista, que teve seu filme recortado em detrimento de vários aspectos técnicos e burocráticos que pouco têm a ver com a arte em si.


Um exemplo? Pegue o dvd de “Guerra dos Mundos”, duplo, repleto de extras excelentes, mas o principal, o filme, em “modo tela cheia”! Isso só é um exemplo isolado. Esse é um dos grandes problemas enfrentados pelos cinéfilos que brigam com um mercado que insiste em investir num formato ridículo de veiculação de seu produto.


Agora só para ver como o processo de transformar um filme em fullscreen é um pouco mais complexo, pense assim; nos exemplos acima, no formato fullscreen do filme “Um Estranho no Ninho”, em determinada cena selecionada, constata-se que dois personagens foram cortados no foco, onde no centro encontra-se Jack Nicholson, ou seja, o principal. Mas e se um personagem excluído falasse algo naquela cena? Você o veria mesmo assim. Como? Profissionais na área utilizam o seguinte procedimento: quando a ação em um plano não está ocorrendo no centro da tela, mas sim em suas laterais, este movimenta essa imagem, cortando outras partes. Assim não se perde o “foco” principal de ação. Se o personagem sentado à esquerda começasse a falar e não desse para vê-lo, o profissional arrastaria a imagem para consertar tal erro, cortando, em contrapartida, outras partes. Mais ou menos, assim:



É tão absurdo o quanto parece!


Resta apenas termos essa consciência ao adquirir o produto. Ou então, mais correto ainda é procurar as distribuidoras cobrando tais desmazelos. Mais filmes que imaginam passam por esse processo, e isso já virou se não um padrão, um lugar comum na distribuição de diversas obras. Há várias implicações para tais processos, mas o básico é isso. Nos próximos dias, atualizarei, exemplificando mais, e publicarei algumas das respostas das distribuidoras quando cobradas por tal.



Um comentário:

Anônimo disse...

Parabéns pela explicação. Vou imprimir e mostrar para uns cabeçudos amigos meus que insistem em ver filmes em fullscrem. Simples e direto! Ponto pra você!
Marcos R. Viana - PR