Esse papo de fascismo só pode ter explicação de quem o acusa. Cada vez mais, em tempos de Lula (goste ou desposte, aprove ou desaprove), no Brasil, há o embate entre a Classe Média -e alta- e seu verdadeiro valor (culpa?) para com a Sociedade.
E, depois de ver o filme, fica claro que a posição de Luciano Huck foi, no mínimo, imprudente. Insensível e imediatista (burro?) vem depois.
Agora sobre o filme em si, é curioso assití-lo, hoje, no cinema. Há de se assistir lá mesmo. Não por discordar veementemente com a pirataria, mas pelo fato social que envolve o sentar ao lado de pessoas desconhecidas e o poder de imersão da sala escura. Uma excelente obra que merece tal apreciação. O curioso, dito anteriormente, de se assistir no cinema é a noção de estar presenciando uma História. "Tropa de Elite" além do fator fenômeno que o envolve, é parte da História da cinematografia nacional.
Algumas conclusões a serem colocadas; 1) a visão "é ou não fascista" que tangeram o filme é absurda e manequeísta, totalmente contrária a proposta de Padilha, que discute como ninguém a situação atual do Brasil, seja em "Tropa de Elite" ou "Ônibus 174". 2) Deveria "Tropa de Elite" ser indicado ao Oscar esse ano. Não que o prêmio seja necessário, ou então a indicação. Pelo contrário. O papo é aqui, é Brasil em jogo. E por ser o representante brasileiro ao Oscar, deveria indicar o melhor filme, não o mais palatável à gosto gringo. E mesmo porque, se vamos mostrar um Brasil, que se mostre o mais atual, quem nós somos, hoje. Não que "O Ano Que Meus Pais Saíram de Férias" seja um filme menor. Mas considero menos atual. Sua beleza plástica e artística não se equiparam ao grau de complexidade que Tropa atinge. 3) Wagner Moura lembrou-me Al Pacino e De Niro em suas melhores formas. Fez-nos esquecer quem é o ator. O personagem falou mais alto. Grande Wagner!
"Tropa de Elite" além de ser o tema e fenômeno do momento, é um baita cinema!